segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
CAPP-Centro Apologético Plenitude da Palavra: APOCALIPSE 2:1-7. E A IGREJA EM ÉFESO
CAPP-Centro Apologético Plenitude da Palavra: APOCALIPSE 2:1-7. E A IGREJA EM ÉFESO: A IGREJA NA CIDADE DE ÉFESO - APOCALIPSE 2:1-7. “ÉFESO’’ significa “desejável’’. É a igreja que começou bem, mas havia perdido o que lhe d...
domingo, 2 de setembro de 2012
Espante-se!! Um dos versos mais surpreendentes da Bíblia!!
A Bíblia está cheia de
passagens surpreendentes, mas tenho que admitir que muitas vezes me surpreendo
com o que já devia não me surpreender mais. Nossas mentes parecem incapazes de
enxergar a profundidade da depravação do coração do homem e como ele é
desesperadamente impotente.
Um dos textos mais
incríveis e surpreendentes em toda a Escritura está em Mateus 28. Neste
capítulo temos muito do que lembrar constantemente. A Grande Comissão (Mateus
28.19-20) – mas não é a esta porção que me refiro agora. Há também o cenário
maravilhoso da ressurreição de Jesus e a reação de surpresa, espanto que
envolveu as mulheres que foram ao sepulcro (Mateus 28.1-10). Mas o mais
surpreendente neste texto maravilhoso é uma única frase que está no verso 17:
“E,
quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”
Essa é uma das coisas
mais incríveis que já li. Jesus ressuscitou e ordenou aos seus discípulos que
fossem a Galiléia para encontrá-lo lá. Eles foram, e quando o viram eles o
adoram, “MAS ALGUNS DUVIDARAM!”
JESUS! Ele tinha sido
crucificado diante deles, ele foi espancado, chicoteado... ele sofreu tanto que
não parecia mais um ser humano. Ele foi pregado numa cruz romana. Ele foi
traspassado por uma lança para confirmar a sua morte. Seu corpo foi envolto
numa mortalha, eles o puseram num túmulo que foi lacrado e vigiado por soldados
romanos por três dias. Agora, esse mesmo Jesus está diante deles vivo.
Fisicamente presente, literalmente presente em carne. Ele está falando com
eles... eles podem tocá-lo...
"Mas alguns
duvidaram."
Você pode entender a
dificuldade de muitos em nossos dias em acreditar que Jesus está vivo – Hoje as
pessoas não podem vê-lo, tocá-lo, ouvir sua própria voz ressoando nos seus tímpanos...
você pode achar que isso é razoável – Você pode achar que em outras
circunstâncias o homem teria facilidade de crer - mas entenda, a incredulidade
do homem em relação a Deus está encravada nas profundezas de sua natureza
caída.
Aquelas pessoas na
Galiléia estavam diante de Cristo vivo, fisicamente diante deles. Ele está ali
de pé diante deles. Falando com eles...
E eles ainda duvidaram.
Este é um lembrete
muito importante para mim e deve ser para você também, principalmente vivendo
numa época em que se insiste em crer que estratégias missionais podem convencer
um homem a crer com o coração para a vida. Sem a intervenção Soberana do
Espírito, sem Deus abrir os nossos olhos ( e você não pode estabelecer metas
mensais e anuais para Deus fazer isso.. Esta é uma obra SOBERANA) – sem Deus
curar a cegueira do coração e dar um coração para compreender e crer no
evangelho, nenhum homem irá crer.
Mesmo que ao invés de
estratégias da sabedoria humana nós tivéssemos como deixar as pessoas
examinarem provas incontestáveis... ( Como aquelas pessoas estavam vendo,
ouvindo e tocando o homem que tinha sido torturado, crucificado e morrido
diante dos olhos deles ) ainda assim o homem natural encolheria os ombros
dizendo: “É... ainda não tenho certeza, não estou convencido...”
O problema não é
natural – eis a inutilidade de acreditarmos que podemos de alguma forma achar
uma maneira de vencer a inimizade do homem natural a verdade de Deus – “Porquanto a inclinação da carne é inimizade
contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto,
os que estão na carne não podem agradar a Deus.” - Romanos 8:7-8 – É a própria incredulidade ao que Deus diz que faz
homens acreditarem que podem achar maneira eficazes de acrescentar homens ao
Reino de Deus.
Salvo intervenção Soberana
do Espírito Santo, não há nenhuma esperança para o homem.
Curiosamente, há uma
grande dose de conforto a ser encontrado aqui. Nos livra da pressão que vem com
o evangelismo centrado na capacidade humana. Talvez você tenha sido exposto à
noção de que se você não está levando um número X de pessoas para fazer uma
profissão de fé a cada ano, você não é um bom cristão e que há algo de errado com
seu relacionamento com Jesus. A noção comum em nossos dias que você não deve
apenas ser fiel na proclamação da Verdade, mas que deve encontrar maneiras e
estratégias de levar as pessoas a crerem, a
noção da necessidade de fazer entalhes em seu cinto espiritual, marcar suas
conquistas para Deus. Encontrar maneiras não de ser fiel, mas de ser eficiente
como o que conquista a mente do homem que naturalmente é inimiga de Deus.
Muitos dirão que não creem
nisso... mas a ênfase profusa em livros, estratégias... estratégias para cada
faixa etária... estratégias para cada tribo urbana... grita que essa é a
verdade, não se propaga com tanto barulho aquilo que não achamos ser decisivo.
Não falamos com tanto entusiasmo daquilo que achamos não ter poder nenhum para
fazer qualquer diferença no processo.
Mas este versículo,
entre muitos, muitos outros, nos faz lembrar de que podemos fazer o melhor
trabalho em viver e anunciar Cristo ( Mesmo que tivéssemos a “estratégia
perfeita” – que era poder mostrá-lo ao vivo, para as pessoas tocarem nele,
ouvirem sua voz... ); a menos que o
Espírito abra os olhos de uma pessoa, eles nunca, nunca vão crer.
“E,
quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”
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terça-feira, 14 de agosto de 2012
A Doutrina da Santificação na História – Louis Berkhof
1. ANTES DA REFORMA.
No desenvolvimento histórico da doutrina da santificação, a Igreja
preocupou-se primeiramente com três problemas: (a) a relação da graça de
Deus na santificação com a fé; (b) a relação da santificação com a
justificação; e (c) o nível da santificação nesta existência. Os
escritos dos chamados primeiros pais da Igreja contêm muito pouca coisa a
respeito da doutrina da santificação. Um ar de moralismo transparece em
que o homem era ensinado a depender da fé e das boas obras para a
salvação. Ele deve levar uma vida virtuosa e. assim, merecer a aprovação
do Senhor. "Tal dualismo", diz Scott em sua The Nicene Theology
(Teologia Nicena),292 "deixava os domínios da santificação só
diretamente relacionados com a redenção em Cristo; e foi este o campo em
que, naturalmente, se desenvolveram concepções defeituosas do pecado, o
Legalismo, o Sacramentalismo, o falso sacerdócio e todos os excessos da
devoção monacal". O Ascetismo veio a ser considerado da maior
importância.
Havia
também a tendência de confundir a justificação com a santificação,
Agostinho foi o primeiro a desenvolver idéias um tanto definidas de
santificação e as suas opiniões tiveram determinante influência sobre a
Igreja da Idade Média. Ele não distinguia claramente entre a
justificação e a santificação, incluindo a última na primeira. Desde que
ele cria na corrupção total da natureza humana, ocasionada pela Queda,
pensava na santificação como uma nova comunicação da vida divina, uma
nova energia infusa, operando exclusivamente dentro dos limites da
Igreja e mediante os sacramentos. Conquanto não tenha perdido de vista a
importância do amor pessoal a Cristo como um elemento constitutivo da
santificação, manifestava a tendência para uma visão metafísica da graça
de Deus na santificação - para considerá-la um depósito de Deus no
homem. Ele não acentuava suficientemente a necessidade de uma constante
preocupação da fé com Cristo Redentor como o fator mais importante da
transformação da vida cristã. As tendências patentes nos ensinos de
Agostinho frutificaram na teologia da Idade Média, que se vê em sua
elaboração mais desenvolvida nos escritos de Tomás de Aquino. Não se
distinguem claramente a justificação e a santificação, mas, segundo essa
concepção, aquela inclui a infusão da graça divina, como uma coisa
substancial, na alma humana. Esta graça é uma espécie de donum superadditum (dom superádito),
pelo qual a alma é elevada a novo nível ou a uma ordem superior do ser,
e é capacitada a cumprir o seu destino celestial de conhecer, possuir e
fruir a Deus.
A
graça é derivada do inexaurível tesouro dos méritos de Cristo e é
infundida nos crentes por meio dos sacramentos. Vista do ponto de vista
divino, esta graça santificadora na alma assegura a remissão do pecado
original, infunde um hábito permanente de retidão inerente, e leva
consigo o potencial posterior desenvolvimento, e até de perfeição. A
partir dela a nova vida se desenvolve, com todas as suas virtudes. Sua
obra pode ser neutralizada ou destruída por pecados mortais; mas a culpa
contraída após o batismo pode ser removida pela eucaristia, no caso dos
pecados veniais, e pelo sacramento da penitência, no caso dos pecados
mortais. Consideradas do ponto de vista humano, as obras sobrenaturais
da fé, operando pelo amor, têm mérito perante Deus e garantem um aumento
da graça. Contudo, tais obras são impossíveis sem a contínua operação
da graça de Deus. O resultado do processo todo era conhecido como
justificação, em vez de santificação; consistia em tornar justo o homem
diante de Deus. Estas idéias estão incorporadas nos cânones e decretos
do Concilio de Trento.
2. DEPOIS DA REFORMA.
Ao falarem de santificação, os reformadores davam ênfase à antítese de
pecado e redenção, e não à de natureza e supernatureza. Eles faziam
clara distinção entre justificação e santificação, considerando a
primeira como um ato legal da graça divina, afetando a posição judicial
do homem, e a última como uma obra moral ou recriadora, mudando a
natureza interior do homem. Mas, enquanto faziam cuidadosa distinção
entre as duas,também salientavam a sua inseparável conexão. Embora
profundamente convictos de que o homem é justificado somente pela fé,
também compreendiam que a fé que justifica não está sozinha.
A
justificação é imediatamente seguida pela santificação, visto que Deus
envia o Espírito de seu Filho aos corações dos que lhe pertencem, tão
logo são justificados, e esse Espírito e o Espírito de santificação.
Eles não consideravam a graça da santificação como uma essência
sobrenatural infusa no homem através dos sacramentos, mas como uma
sobrenatural e graciosa obra do Espírito Santo, primariamente mediante a
Palavra, e secundariamente mediante os sacramentos, pela qual ele nos
livra mais e mais do poder do pecado e nos habilita a praticar boas
obras.
Embora
de modo algum confundindo a justificação com a santificação, sentiam a
necessidade de preservar a mais estreita relação possível entre aquela,
na qual a livre e perdoadora graça de Deus é fortemente acentuada, e
esta, que requer a cooperação do homem, com o fim de evitarem o perigo
da justiça das obras. No Pietismo e no Metodismo, forte ênfase foi dada à comunhão constante com Cristo como o grande meio de santificação.
Exaltando
a santificação em detrimento da justificação, nem sempre evitaram o
perigo da justiça própria. Wesley não distinguia meramente entre a
justificação e a santificação, mas praticamente as separava, e falava da
santificação completa como um segundo dom da graça, seguindo-se ao
primeiro, a justificação pela fé, após um período mais curto ou mais
longo. Embora também falasse da santificação como um processo, todavia
afirmava que o crente deve rogar e buscar a santificação completa e
definitiva, efetuada por um ato definido de Deus.
Sob a influência do racionalismo e do moralismo de Kant,
a santificação deixou de ser considerada como uma obra sobrenatural do
Espírito Santo na renovação dos pescadores, e foi rebaixada ao nível de
um simples melhoramento moral obtido pelos poderes naturais do homem.
Para Schleiermacher isso
era simplesmente o progressivo domínio da consciência de Deus dentro de
nós sobre a consciência humana do mundo, meramente perceptiva e sempre
moralmente defeituosa. E para Ritschl isso
era a perfeição moral da vida cristã a que chegamos pelo cumprimento da
nossa vocação como membros do reino de Deus. Em grande parte da
Teologia Liberal moderna, a santificação consiste apenas na sempre
crescente redenção do ser inferior do homem mediante o domínio do seu
ser superior. Redenção pelo caráter é um dos lemas dos dias amais, e o
termo "santificação" veio a significar mero melhoramento moral.
http://www.ocalvinismo.com/2010/05/doutrina-da-santificacao-na-historia.html
http://www.ocalvinismo.com/2010/05/doutrina-da-santificacao-na-historia.html
A Idéia Bíblica de Santidade e Santificação – Louis Berkhof Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com/2010/12/ideia-biblica-de-santidade-e.html#ixzz23YvFnd1N
1. NO ANTIGO TESTAMENTO.
Na Escritura, a qualidade da santidade aplica-se primeira¬mente a
Deus, e, aplicada a ele, sua idéia fundamental é a de inacessibilidade.
Esta se baseia no fato de que Deus é divino e, portanto, absolutamente
distinto das criaturas. Neste sentido, a santidade não é apenas um
atributo em coordenação com os demais em Deus. Ele é santo em sua graça
bem como em sua justiça, em seu amor bem como em sua ira. Estritamente
falando, a santidade só vem a ser um atributo no sentido ético
posterior da palavra. O sentido ético do termo desenvolveu-se do
sentido de majestade.
Este
desenvolvimento parte da idéia de que um ser pecador está mais
agudamente cônscio da majestade de Deus, do que um ser sem pecado. O
pecador fica ciente da sua impureza quando esta é contrastada com a
majestosa pureza de Deus, cf. Is 6. Otto fala da santidade no sentido
original, como numinosa, e se propõe denominar a reação típica a isto
"sentimento de criaturidade, ou consciência de ser criatura", uma
desvalorização do ego, reduzindo-o à nulidade, ao passo que fala da
reação à santidade no sentido ético derivado como um "sentimento de
profanidade". Assim é que se desenvolve a idéia da santidade como pureza
majestosa ou sublimidade ética. Esta pureza é um princípio ativo em
Deus, que necessariamente se afirma a si próprio e defende a sua honra.
Isto explica o fato de que a santidade é apresentada na Escritura
também como a luz da glória divina transformada num fogo devorador, Is
5.24; 10.17; 33.14,15.
Em
contraste com a santidade de Deus, o homem se sente não meramente
insignificante, mas positivamente impuro e pecaminoso, e, como tal, como
objeto da ira de Deus. Deus revelou no Antigo Testamento a sua
santidade de várias maneiras. Ele o fez com terríveis juízos sobre os
inimigos de Israel, Ex 15.11,12. Também o fez separando para si um povo,
que ele retirou do mundo, Êx 19.4-6; Ez 20.39-44. Tomando e retirando
este povo do mundo impuro e ímpio, ele protestou contra esse mundo e
seu pecado. Além disso, ele o fez repetidamente, poupando o seu povo
infiel, porque não queria que o mundo não santo se regozijasse com
aquilo que poderia considerar fracasso em sua obra, Os 11.9.
Num
sentido derivado, a idéia de santidade também é aplicada a coisas e
pessoas que são colocadas numa relação especial com Deus. A terra de
Canaã, a cidade de Jerusalém, o monte-templo, o tabernáculo e o templo,
os sábados e as festas solenes de Israel - todas estas coisas são
chamadas santas, visto serem consagradas a Deus e introduzidas no
resplendor da sua augusta santidade. Similarmente, os profetas, os
levitas e os sacerdotes são chamados santos na qualidade de pessoas que
foram separadas para o serviço especial do Senhor. Israel tinha os seus
lugares sagrados, as suas épocas sagradas, os seus ritos sagrados e as
suas pessoas sagradas. Contudo, esta ainda não é a idéia ética da
santidade. Uma pessoa podia ser sagrada e, todavia, estar inteiramente
vazia da graça de Deus em seu coração. Na antiga dispensação, como
também na nova, a santidade ética resulta da influência renovadora e
santificante do Espírito Santo. Deve-se lembrar, porém, que mesmo quando
a concepção de santidade é completamente espiritualizada, sempre
expressa uma relação. Nunca a idéia de santidade é a de bondade moral,
considerada em si mesma, mas sempre é a idéia de bondade ética vista em
relação com Deus.
2. NO NOVO TESTAMENTO.
Ao passarmos do Antigo Testamento para o Novo, damo-nos conta de uma
notável diferença. Enquanto no Antigo Testamento não há nem um só
atributo de Deus que sequer lembre alguma semelhança com a proeminência
dada a sua santidade, no Novo Testamento raramente se atribui santidade
a Deus. Exceto nalgumas citações do Antigo Testamento, somente nos
escritos de João a santidade é atribuída a Deus, Jo 17.11; lJo 2.20; Ap
6.10. Com toda a probabilidade, a explicação para isso está no fato de
que a santidade, no Novo Testamento, projeta-se como a característica
especial do Espírito Santo, por quem os crentes são santificados, são
qualificados para o serviço e são conduzidos ao seu destino eterno, 2Ts
2.13; Tt 3.5.
A palavra hagios
é empregada em conexão com o Espírito de Deus cerca de cem vezes.
Contudo, a concepção de santidade e de santificação no Novo Testamento
não é diferente da que se vê no Antigo Testamento. Tanto naquele como
neste a santidade, num sentido derivado, é atribuída ao homem. Num e no
outro a santidade ética não é mera retidão moral, e nunca a
santificação é mero melhoramento moral. Há confusão destas duas coisas
atualmente, quando falam em salvação pelo caráter. Um homem pode
gabar-se de um grande melhoramento moral, e, todavia, não ter nenhuma
experiência da santificação. A Bíblia não insiste no progresso moral
puro e simples, mas no progresso moral em relação com Deus, em atenção a
Deus e com vistas ao serviço de Deus. Ela insiste na santificação.
Justamente neste ponto, muita pregação ética dos dias atuais é
completamente enganosa; e o corretivo para isto está na apresentação da
verdadeira doutrina da santificação. Pode-se definir a santificação
como a graciosa e contínua operação do Espírito Santo pela qual ele
liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a sua
natureza à imagem de Deus, e o capacita a praticar boas obras.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 4 Por John MacArthur Jr (O Estupro dos Cânticos de Salomão)
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 4
Por John MacArthur Jr
(O Estupro dos Cânticos de Salomão)
Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).
Antes
de encerrarmos esta breve série, prometi responder tantas perguntas
quanto possível daquelas pessoas que têm comentado aqui, via e-mail,
através do Twitter e no [url=http://www.challies.com'
target='_blank'>Challies.com[/url].
Primeiramente, gostaria de
agradecer a Tim Challies pela coragem em hospedar uma discussão acerca
deste tópico. A simples menção de boas maneiras e linguagem, obviamente
suscita paixões no evangelicalismo contemporâneo – e não necessariamente
de uma maneira que seja útil. Não é fácil encontrar fóruns na internet
onde uma questão tão volátil pode ser discutida abertamente com lucro.
E, devido a alguns dos vários problemas que esta série tem abordado,
mesmo fóruns Cristãos não são sempre um paraíso a salvo da profanação e
do comportamento grosseiro e carnal. Sou grato ao Tim por assegurar um
nível mais digno de diálogo.
Faço eco ao choque total que Tim
expressou quando foi exposto a algo do material do sermão de Driscoll na
Escócia (a mensagem que disparou esta série neste blog). Após ler
algumas das declarações ultrajantes de Driscoll, Tim reagiu da mesma
maneira que qualquer Cristão de mente pura reagiria:
Eu tenho um
verdadeiro problema com qualquer um que interprete os Cânticos de
Salomão deste jeito... Para ser honesto, as palavras me faltam quando eu
sequer tento me explicar – quando eu tento explicar como eu
simplesmente não posso sequer conceber os Cânticos de Salmão assim. A
natureza poética dos Cânticos é inteiramente corroída quando atribuímos
tal significado a eles: tal significado específico. E eu fico pensando
qual o bem que pode fazer a um casal estar apto a dizer "Veja, este ato
sexual específico é obrigatório na Escritura. Portanto, vamos
praticá-lo". Isso pode ser dito a um cônjuge que não tem desejo de fazer
este ato, ou que até mesmo o considera de mau gosto. E ainda, com nossa
interpretação dos Cânticos de Salomão, a qual realmente não temos meios
de provar (pelo menos, não para além de qualquer dúvida razoável),
estamos potencialmente forçando um parceiro relutante a fazer algo. Eu
apenas... novamente, as palavras realmente me faltam aqui.
Tim,
você estava certo em ficar chocado. A coisa mais chocante para mim é que
algumas pessoas não parecem estar chocadas de maneira alguma. O que
facilmente receberia do mundo uma classificação NC-171, está sendo
divulgado e defendido por alguns na igreja. Devo explicar que não uso a
internet diretamente; Eu nem sequer possuo um computador ou uma conexão a
internet em minha casa. Sou totalmente dependente da equipe e dos
estagiários no ministério pastoral que imprimem o material que preciso
para ler e garantem que eu o consiga.
Portanto, para aqueles que
talvez esperassem que eu interagiria com seus comentários em tempo real
no blog, simplesmente não tenho meios fáceis de fazer isto. Faço uma
varredura nos comentários quando os recebo – que usualmente não é até o
dia seguinte – mas não posso responder os comentários do blog
diretamente, nem seria capaz de devotar meu tempo aos fóruns de internet
mesmo se estivesse conectado.
Mas, quero aproveitar esta
oportunidade para responder as perguntas mais freqüentes dos últimos
dias. Praticamente todos os questionamentos e críticas que têm sido
levantados podem ser agrupados em duas categorias. Alguns poucos são
questionamentos e observações sobre a interpretação adequada dos
Cânticos de Salomão. Praticamente todo o restante tem a ver com minhas
críticas a Mark Driscoll. Responderei muitos questionamentos da primeira
categoria e sumariarei minhas respostas a segunda categoria em duas
respostas finais.
1. Podemos "dar o sentido" quando pregamos a
poesia sem fazer uma exposição versículo por versículo, preceito por
preceito? Ou é melhor deixá-lo "cuidadosamente velado" como MacArthur
escreve?
A pergunta interpreta erroneamente o que eu disse. Nunca
sugeri que o claro significado de qualquer texto deva ser
"cuidadosamente velado". Eu apontei para o fato de que algumas coisas na
Escritura estão cuidadosamente veladas, e nós não devemos impor nossas
próprias interpretações especulativas sobre elas.
Em outras
palavras, estou incitando os pastores a lidar com o que o texto diz, e
se afastar de impor um estilo gnóstico de significados secretos sobre as
idéias que são deliberadamente deixadas obscurecidas ou totalmente
escondidas pelo Espírito Santo.
Não estou dizendo nada além do
que diria sobre interpretações especulativas de qualquer parte da
Escritura: isto é insensato. Não, isto é seriamente perigoso. "As coisas
encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, mas as reveladas nos
pertencem a nós..." (Deut. 29:29).
Também estou dizendo que o
modo como o Espírito discursa sobre a santa intimidade e privacidade do
amor conjugal é a antítese do tipo grosseiro das pseudo-interpretações
gráficas que alguns evangélicos contemporâneos parecem almejar.
2.
Os Cânticos de Salomão são um livro explicitamente erótico. Como pode
você possivelmente argumentar que este livro da Bíblia, o qual é a Santa
Palavra de Deus, é qualquer coisa, menos "completamente explícito"? Não
é uma negação do óbvio afirmar que os Cânticos de Salomão não são uma
bela descrição gráfica de sexo?
Explícito – ek • SPLIS • isto –
Expressar distintamente tudo o que se entende; não deixando nada
meramente implícito ou sugerido; sem ambigüidades.
Desde que não
há nenhuma menção de uma parte reprodutiva do corpo ou ato sexual nos
Cânticos de Salomão, nenhum comentarista dos Cânticos que se preze
jamais faria sequer tal afirmação acerca deste livro. Além do mais (e
este é o ponto chave de toda a discussão), os Cânticos de Salomão não
são literatura "erótica" em qualquer sentido que seja – i. é., não se
destina a despertar os leitores sexualmente. Claramente, ele nunca
deveria ser pregado de uma maneira que tenha este efeito. Este é um
ponto tão óbvio que apenas um explorador do livro o ignoraria por
interesses lascivos.
3. Você não vê a distinção entre metáfora e eufemismo?
É
claro. Mas as vezes uma metáfora é também um eufemismo, e este é
claramente o caso de algumas das disputadas imagens dos Cânticos de
Salomão. Não há meio exegético para decidir o que as várias jóias,
flores, aromas, óleos e outros prazeres sensuais nomeados no poema
representam na mente do autor. Ele propositalmente os deixa vagos.
Portanto, não significa necessariamente que os símbolos devam ter
qualquer relação de um-para-um com as realidades correspondentes; ao
contrário, eles são emblemas gerais da beleza e do desejo. Salomão usa o
simbolismo ao invés de dizer qualquer coisa explícita – o que (por
definição) torna aquelas metáforas eufemísticas também.
Ao longo
daquelas linhas, Richard Hess, nas páginas 34-35 de seu Baker Old
Testament Commentary, observa os perigos da leitura demasiada das belas
metáforas dos Cânticos:
As metáforas dos Cânticos são as mais
ricas de qualquer dos livros da Bíblia. De qualquer modo, não pretendem
prover uma simples correspondência do tipo um-para-um. De fato, os
intérpretes são mais susceptíveis a perderem-se em absurdos quando se
esforçam para igualar as coisas onde elas não são explícitas... A melhor
interpretação deve manter-se sensível à linguagem das imagens e tentar
seguir seus contornos sem impor demasiada exigência sobre os detalhes de
interpretação... Os cânticos não apresentam entretenimento a seus
leitores através de exposições lascivas, nem os educa como um manual de
sexo.
4. Será que seus escrúpulos acerca de descrições gráficas
de atos sexuais não são culturais e produtos de uma geração? Talvez a
cultura na qual você ministra não seja tão desinibida quanto as
sub-culturas que outros pregadores estão tentando alcançar.
Sexo
não é algo novo na era pós-moderna. Cada cultura e cada geração tem
lidado com as mesmas obsessões e perversões que lidamos hoje – embora
nem sempre com a mesma auto-indulgência desenfreada que nossa cultura
tem encorajado. Cada cristão tem sempre encarado os mesmos desejos e
tentações que nos assaltam: "Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão a
que é comum ao homem" (1 Coríntios 10:13).
Aqueles que
pensam que a pornografia e a libertinagem desenfreada não eram comuns na
era pré-internet devem visitar as ruínas de Pompéia e ver como era a
vida na cultura de Roma durante a geração do apóstolo Paulo.
Paulo
ministrou em culturas muito menos "inibidas" que a nossa. No entanto,
quando ele achou necessário lidar com tópicos sexuais – seja para dar
instruções positivas sobre a relação no casamento ou exortações
negativas acerca de pecados sexuais – ele nunca falou em termos
sexualmente gráficos.
Além disso, o que era pecaminoso na era de
Paulo ainda é pecaminoso em nossa cultura saturada de pornografia. E a
estratégia de Paulo para alcançar os Coríntios (uma das sub-culturas
mais pervertidas sexualmente já conhecida) é a mesma estratégia que
devemos usar hoje. Isto inclui alguns cuidados, dignidades e ensino
autenticamente bíblico sobre questões de sexo (cf. 1 Coríntios 7).
Santidade, e não um método de como aconselhar sobre sexo, é o coração do
que os pastores deveriam estar ensinando sobre sexo (especialmente em
uma cultura viciada em sexo). E nosso ensino sobre o assunto deve ser
feito com graça, dignidade e santificação, não na forma de uma comédia
erótica.
A verdade é que a Palavra de Deus nunca dá instruções
específicas sobre os detalhes das preferências sexuais de um casal em
sua vida sexual. Sermões que pretendem encontrar tais instruções, como a
preocupação sexual demonstrada nesses assaltos aos Cânticos de Salomão,
são mais prejudiciais que úteis – porque erguem a imaginação do
pregador a uma posição mais elevada de proeminência e autoridade do que a
verdadeira revelação de Deus.
Nem Paulo ou qualquer outro
legítimo líder da igreja em 2000 anos têm sequer achado necessário (ou
mesmo útil) utilizar a sabedoria das ruas para a educação sexual – nem
como uma estratégia evangelística, e certamente nem como um meio de
santificação para as pessoas já dominadas pela conversação sobre sexo de
uma cultura corrompida. Adotar a obsessão do mundo por conversação
sexual e suja não pode possibilitar um efeito santificador, porque a
própria estratégia é profana.
A noção de que sub-culturas
degeneradas e pessoas sexualmente viciadas não podem ser alcançadas sem o
"aprender a falar a língua deles", é uma falácia absoluta. A Grace
Church está a sete milhas de Hollywood, no coração do Sul da Califórnia,
em uma cultura carnal de prazer doentio, bem conhecida no mundo todo
por tudo, menos por valores espirituais saudáveis. Nenhuma cidade na
América é mais "desigrejada" que nosso vale, o qual abriga mais de três
milhões de pessoas. O povo da Grace Church está alcançando amigos e
vizinhos em todas as sub-culturas imagináveis – dos ex-presidiários aos
ex-católicos e as pessoas na indústria do entretenimento. Batizamos
novos convertidos praticamente todo domingo a noite. Não é necessário
nem útil injetar referências sexuais explícitas nas conversas a fim de
alcançar pessoas de tais culturas. Deus os traz a Cristo através do
Evangelho.
5. Você intitulou seus artigos de "O estupro dos
Cânticos de Salomão". Se você discorda tanto da linguagem forte e de
temas sexuais, não parece ser sobre isto o tópico?
Um dos
problemas fundamentais em toda essa discussão é a recusa por parte de
muitos em reconhecer a distinção crucial (e fundamental) entre linguagem
forte e linguagem obscena. O próprio Mark Driscoll contribuiu para esta
confusão ao misturar e obscurecer os dois assuntos em sua mensagem ano
passado na Conferência Desiring God. A Escritura condena hereges em
termos vigorosos, as vezes indelicados, (por exemplo, Gálatas 5:12). Mas
a Bíblia nunca é indecente, e a linguagem forte na Escritura certamente
não faz da linguagem profana ou suja uma piada aceitável (Efésios 5:4).
No
primeiro artigo da série, expliquei por que o título é apropriado. Se
alguém acha que é um exemplo do que tenho condenado, esta pessoa não
entendeu nada do que falei. O estupro é um ato de violação forçada; e
este tratamento dos Cânticos de Salomão é um abuso do livro,
arrancando-lhe o véu designado por Deus, contaminando publicamente sua
pureza, e mantendo-o a vista para olhares e sorrisos maliciosos.
6.
O sermão de Driscoll foi realmente tão ruim quanto você diz? Você não
está exagerando o que, em última análise, foi apenas uma diferença no
estilo?
Durante a Controvérsia Downgrade, Charles Spurgeon foi
essencialmente acusado da mesma coisa – uma deturpação dos fatos e uma
reação exagerada as questões. Aqui está o que Spurgeon disse em resposta
aos seus críticos:
A controvérsia que tem se levantado de
nossos artigos anteriores é muito ampla em seu alcance. Mentes
diferentes terão suas próprias opiniões quanto a maneira com a qual os
combatentes têm se portado; de nossa parte estamos satisfeitos em deixar
milhares de assuntos pessoais passarem desapercebidos. O que importa
quais sarcasmos e gracejos possam ter sido proferidos às nossas custas? A
poeira da batalha baixará no devido tempo; pois, no presente, o
interesse principal é manter o estandarte em seu lugar, e preparar-se
contra as arremetidas do adversário.
Nosso alerta tinha a
intenção de chamar atenção para um mal que pensávamos ser aparente a
todos: nunca imaginamos que "a questão precedente" seria levantada, e
que uma companhia de estimados amigos arremeteria em meio aos
combatentes, e declararia que não havia motivo para a guerra, mas que
nosso moto poderia continuar a ser "Paz, paz!" No entanto, tal tem sido o
caso, e em muitos lugares a pergunta principal não é o "Como podemos
remover o mal?", mas "Existe algum mal para ser removido?" Nenhum fim de
carta tem sido escrito com isto como seu tema – "As acusações feitas
pelo Sr. Spurgeon são realmente verdadeiras?" Deixando de lado a questão
de nossa própria veracidade, não poderíamos ter qualquer objeção a uma
discussão mais aprofundada do assunto. Por todos os meios, deixe a
verdade ser conhecida.
No espírito de Charles Spurgeon, então,
sinto que não há outro curso de ação, a não ser deixar que a verdade
seja conhecida. This link (o qual alguém me enviou por e-mail ontem) o
levará a algumas das coisas que Mark Driscoll tem dito sobre os Cânticos
de Salomão. Minha preferência seria não "linkar" aquelas coisas de
maneira alguma (de fato, há muito mais que eu poderia "linkar"), e
gostaria de avisar que o conteúdo é altamente ofensivo (especialmente
por ter sido pregado em um culto de Domingo onde crianças, adolescentes e
jovens solteiros estavam presentes). Mas, como Paulo disse aos
Coríntios, as vezes é necessário suportar uma pequena tolice a fim de
que a verdade seja conhecida.
O Novo Testamento não poderia ser
mais claro. A boca fala do que o coração está cheio (Mateus 12:34). E
aqueles que ensinam publicamente são levados a um nível mais alto de
responsabilidades (Tiago 3:1). Pastores, em particular, devem ser
modelos de pureza (1 Tim. 4:12), acima de qualquer reprovação, tanto
dentro da igreja como fora dela (1 Tim. 3:2-7). Pureza na doutrina,
pureza na vida e pureza no falar fazem parte das qualificações bíblicas
para aqueles que serão porta-vozes de Deus.
Efésios 4:29 Não saia
da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a
necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem.
Efésios
5:4–5 Nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas
essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto:
que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem
herança no reino de Cristo e de Deus.
1 Tessalonicenses 4:7
Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação.
Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a Deus, que
vos dá o seu Espírito Santo.
Tito 2:6–8 Exorta semelhantemente os
moços a que sejam moderados. Em tudo te dá por exemplo de boas obras;
na doutrina mostra integridade, sobriedade, linguagem sã e
irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal
que dizer de nós.
É por isso que estou fazendo uma discussão tal
como esta. Porque o Novo Testamento faz uma discussão assim. Não é
simplesmente uma diferença de opinião, geração, preferência, estilo ou
metodologia. É uma discussão que se levanta dos claros mandatos do Novo
Testamento relacionados ao caráter de um presbítero. De qualquer modo,
não acho que tenha reagido com força suficiente.
7. Por que você
escolheu Driscoll e o conectou com os "desafios sexuais"? Por que
levá-lo a público? Ele já se arrependeu de seu discurso underground, e
está sendo discipulado de maneira particular por homens como John Piper e
C. J. Mahaney, que o fazem prestar contas. Você os consultou antes de
chamar Driscoll pelo nome? Se o problema é tão sério como você alega,
por que eles não disseram nada publicamente acerca disto?
No
sermão que motivou esta série, Mark Driscoll (falando especificamente as
esposas na congregação) fez vários comentários que foram muito, mas
muito piores do que sórdidos desafios sexuais. Além do mais, os editos
de Driscoll às mulheres casadas não eram meros "desafios", mas diretivas
reforçadas com a alegação de que "Jesus Cristo ordena que você faça
[isto]". Este material tem estado online e circulado livremente por mais
de um ano. Mas você terá muita dificuldade para encontrar um único
fórum sequer na Web onde alguém tenha exigido que Driscoll explicasse
porque ele se sentia livre para dizer tais coisas publicamente.
Estou
apontando algo que não deve ser nenhum pouco controverso: pastores não
são livres para falar assim. Em resposta, uma enchente de jovens
revoltados, incluindo muitos pastores e seminaristas – nenhum dos quais
tenha sequer tentado uma conversa em particular comigo sobre este tópico
– têm se sentido livres para postar insultos e públicas reprovações em
um fórum público, declarando enfaticamente (sem a óbvia consciência da
ironia) que eles não crêem que tais coisas devam ser tratadas em fóruns
públicos.
(Para ser claro: não estou sugerindo que alguém precisa
me contatar em particular sobre declarações públicas que eu tenha
feito. Muito pelo contrário. Mas aqueles que insistem que tais
desacordos devam ser tratados privadamente revelam a hipocrisia do que
alegam quando usam fóruns públicos para censurar e acusar um pastor de
quem eles discordam.)
Quando 1 Timóteo 5:20 diz: "Aqueles que
continuam em pecado, repreenda-os na presença de todos", ele está
falando aos presbíteros em particular. Aqueles em um ministério público
devem ser repreendidos publicamente quando seus pecados se repetem, em
público, e são confirmados por várias testemunhas.
No entanto,
tenho escrito para Mark em particular sobre minhas preocupações. Ele
rejeitou meu conselho. Com relação a este fato, ele pregou o sermão que
venho citando, sete semanas após receber minha carta privada onde o
encorajava a levar a sério o padrão de Santidade que as Escrituras
impõem aos pastores. Aqui está uma pequena seleção da carta de seis
páginas que o enviei:
Você [não] pode fazer cristãos adotarem
modismos mundanos como se fossem um caso bíblico – especialmente quando
aqueles modismos estão diametralmente em oposição ao discurso saudável,
mente pura e comportamento casto que Deus nos conclama a exibir. Em sua
essência, trata-se de ideologia.
Não importa o quanto a
cultura possa mudar, a verdade nunca muda. Quanto mais a igreja se
acomoda as bases elementares da cultura, mais ela comprometerá
inevitavelmente sua mensagem. Não devemos trair nossas palavras através
de nossas ações; devemos estar no mundo, mas não ser do mundo... É vital
que você não envie uma mensagem sobre a importância da sã doutrina e
uma mensagem totalmente diferente sobre a importância do discurso são e
da pureza de mente irrepreensível.
A resposta de Mark Driscoll a esta admoestação e as coisas que ele tem dito desde então só têm aumentado minha preocupação.
Mark
Driscoll realmente expressou arrependimento sobre a reputação que sua
língua o rendeu a alguns anos atrás. No entanto, nenhuma mudança
substancial é observável. Apenas a algumas semanas, em uma diatribe
raivosa dirigida a homens de sua congregação, Driscoll mais uma vez
lançou um palavrão totalmente desnecessário.
Algumas semanas
antes disto, ele fez um escárnio público de Eclesiastes 9:10 (algo que
ele tem feito repetidamente), fazendo piada disto em cadeia nacional.
Então, aqui estão mais dois vídeos inapropriados de Driscoll que estão
circulando entre jovens e estudantes universitários por quem tenho
alguma responsabilidade pastoral. Em sua imaturidade, eles geralmente
pensam que é maravilhosamente legal e transparente para um pastor falar
assim. E eles se sentem a vontade para xingar e fazer piadas de forma
semelhante em ambientes mais casuais.
Já passou da hora da questão ser tratada publicamente.
Finalmente,
é seriamente exagerado dizer do envolvimento de John Piper e C. J.
Mahaney que eles estão "discipulando" Mark Driscoll. Em primeiro lugar, a
idéia de que um homem crescido, já em ministério público e sob os
holofotes da TV nacional, necessita de espaço para "receber a instrução
de mentores" antes que seja justo sujeitar suas atitudes públicas ao
escrutínio bíblico parece inverter todo o processo.
Estes
problemas têm sido discutidos em ambos os contextos, público e privado,
por pelo menos três ou quatro anos. Em algum ponto, o argumento de que
esta é uma questão de maturidade e que Mark Driscoll apenas precisa de
tempo para amadurecer perdeu a eficácia.
Neste ínterim, a
mídia está tendo um festival para escrever histórias que sugerem que
conversação desprezível é uma das marcas registradas do "Novo
Calvinismo"; e inúmeros estudantes a quem amo e conheço pessoalmente
estão sendo conduzidos a um comportamento carnal semelhante ao imitarem o
discurso e estilo de vida de Mark Driscoll. Para tudo há um limite.
Sim,
eu informei John Piper e C. J. Mahaney das minhas preocupações sobre
este material a várias semanas atrás. Discriminei todas estas questões
em detalhes muito mais minuciosos do que tenho escrito aqui, e
disse-lhes expressamente que estava preparando esta série de artigos
para o blog.
Para aqueles que perguntam por que os pastores
Piper e Mahaney (e outros em posições chaves de liderança) não têm
expressado publicamente suas próprias preocupações similares, esta não é
uma pergunta para mim. Espero que você escreva e pergunte a eles.
____________________________________________________________________
1
É uma espécie de classificação de conteúdo para que os pais americanos
tenham uma idéia daquilo com que seus filhos estão tendo contato. NC-17
seria, por exemplo, um filme contendo senas de sexo explícito ou
violência excessiva. Poderia ainda conter obscenidades, pornografias,
linguagem sexual ou violenta [N. do T.].
Postado em 15/09/2011 |
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(85) 3287-3473
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 3- Por John MacArth
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 3
Por John MacArthur Jr
(O Estupro dos Cânticos de Salomão)
Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).
[Nota
do Editor: O leitores devem ser advertidos que este artigo contem
material ofensivo. No entanto, ele está incluído aqui com o objetivo de
fundamentar a tese deste artigo.]
Eu enfaticamente concordo com
aqueles que dizem que os Cânticos de Salomão não são mera alegoria. Ele é
melhor entendido quando o tomamos como de fato se propõe a ser, como
qualquer outro texto da Escritura. Muitos intérpretes a quem, em outro
caso, mantenho em alta estima (incluindo Spurgeon e a maioria dos
Puritanos), infelizmente fizeram mais para confundir do que para
esclarecer a mensagem dos Cânticos ao tratá-la de uma maneira puramente
alegórica que acaba por eliminar seu sentido primário.
Os
Cânticos de Salomão são, como tenho dito desde o princípio, um poema de
amor entre Salomão e sua noiva, celebrando o amor mútuo de um pelo
outro, incluindo os prazeres do leito conjugal. Interpretar esta — ou
qualquer outra porção da Escritura — de uma maneira puramente alegórica é
tratar a própria imaginação do intérprete como mais autoritativa do que
o sentido literal do texto.
De qualquer modo, aqueles que fingem
saber o significado dos símbolos poéticos que não estão claramente
identificados a partir do próprio texto cometem o mesmíssimo erro. Suas
especulações são igualmente um modo de exaltar suas próprias imaginações
a um nível de autoridade superior ao sentido literal do texto.
É
um problema particular quando o interprete vê um mandato para sexo oral
numa simples metáfora acerca do fruto de uma árvore, ou imagina que a
melhor maneira de contextualizar e ilustrar porções do texto é despindo
verbalmente sua própria esposa a fim de fazer o ponto tornar-se o mais
vívido possível.
Num caso como este, o orador não apenas tem dado
peso demasiado a sua própria imaginação especulativa; ele tem dado um
sinal bastante claro de que sua imaginação não é totalmente pura (Lucas
6:45).
E este é um problema muito mais sério do que meramente alegorizar o texto.
De
maneira alguma desejo minimizar os perigos de se alegorizar o texto.
Essa aproximação hermenêutica é cheia de prejuízos, mesmo nas mãos de
homens de mente pura, que geralmente são saudáveis em sua doutrina. Eu
não aprovo os vôos da fantasia alegórica, especialmente com um texto
como os Cânticos de Salomão, o qual impõe bastante dificuldade com as,
obviamente embutidas, metáforas e linguagem poética que possui.
Alegorizadores
dos Cânticos de Salomão geralmente o vêem como uma expressão de terno
amor mútuo entre Cristo e Sua igreja. A maioria deles diria que Cristo é
representado pela voz de Salomão; a igreja é representada pela voz de
Sulamita. Alguns intérpretes vão ainda mais longe e dizem ouvir três ou
mais vozes falando do texto. (Invariavelmente, aqueles que multiplicam
as vozes tentam fazer com que os versículos se encaixem em algum libreto
complexo que se levanta mais de suas próprias agendas pessoais do que
do texto em si.)
Ainda assim, independentemente de quantas vozes
sejam ouvidas e quem esteja supostamente falando, quase todos os que
alegorizam este poema vêem-no como um cântico de amor entre Cristo e a
igreja. É provavelmente adequado dizer que esta visão alegórica sobre
Cristo e a igreja tem sido a interpretação dominante do poema através da
história da igreja.
Isto, é claro, não é o certo a ser feito.
Acontece que penso não ser esta a abordagem correta para interpretar
este texto. Mas esta não é uma visão que deva ser rejeitada com desprezo
vulgar — especialmente com uma piada grosseira atribuindo comportamento
homossexual a Cristo.
Se você já ouviu qualquer dos estudos de
Mark Driscoll sobre os Cânticos de Salomão, certamente terá ouvido sua
piada naquele sentido. Por exemplo, no sermão que me impulsionou a
escrever estes artigos, Driscoll diz, "Alguns têm alegorizado este
livro, e assim fazendo, eles o têm destruído. Eles dirão que ele é uma
alegoria entre Jesus e sua noiva, a igreja. O que, se for verdade, é
estranho. Porque Jesus está fazendo sexo comigo e pondo sua mão sobre
minha camisa. E isto parece estranho. Eu amo Jesus, mas não desse
jeito."
Drsicoll disse quase exatamente a mesma coisa nos últimos
três outros sermões. Por exemplo: "Jesus continua fazendo comigo e me
tocando em locais impróprios". "Agora eu sou gay, ou altamente
perturbado, ou ambos". "Como um cara, eu não me sinto confortável com
Jesus, como você sabe, me beijando, me tocando e me levando para a cama.
Ok? Acho que essa espécie de visão acerca dos Cânticos de Salomão é
muito homo-erótica."
Mesmo em sua série mais recente, Peasant Princess, ele repete uma versão daquela mesmíssima piada:
Agora,
o que acontece é que alguns dizem "Bem, nós cremos no livro [dos
Cânticos de Salomão], e o ensinaremos, mas o faremos alegoricamente." E
há então uma interpretação alegórica e uma literal. Eles dirão, "Bem, a
interpretação alegórica não é entre um marido e sua esposa, Cânticos de
Salomão, amor, romance e intimidade; do que ela trata? Sobre nós e
Jesus." Realmente? Eu espero que não. [Risos da platéia] Se eu chegar no
céu e ele desabar, não sei o que farei. Quero dizer que este será um
mau dia. Certo? Eu falo sério. Vocês caras, sabem do que eu estou
falando. É como, "Não, eu não estou fazendo isto. Você sabe que eu não
estou fazendo isto. Eu O amo [Jesus], mas não deste jeito." [Risos da
platéia].
Driscoll escapa da crítica a respeito deste tipo de
piada alegando que não é blasfêmia pelo fato de não ter nada a ver com o
"verdadeiro" Jesus. Ele diz que está simplesmente tirando sarro de uma
falsa noção sobre Jesus. E ele continua fazendo a piada. Aqui está o
problema com isto: a Escritura claramente ensina que o amor entre marido
e mulher em todos os seus aspectos é uma metáfora de Cristo e a igreja
(Efésios 5:31-32).
Assim, mesmo uma interpretação não alegórica
dos Cânticos de Salomão (simplesmente tomando a canção de amor entre
Salomão e Sulamita no sentido em que ela se propõe a ser), em última
análise aponta-nos a Cristo e seu amor pela igreja. O texto deve ser
manuseado pelo pregador, portanto, não como um pretexto para se banhar
na sarjeta de nossa cultura obsessiva por descontração, com uma
conversação grosseira acerca de sexo e descrição de imagens sexuais.
Alguns
dos que tem comentado esses artigos sugeriram que eu deveria fazer uma
exposição completa dos Cânticos de Salomão ao invés de simplesmente
criticar os maus intérpretes e condenar a fixação da igreja
contemporânea por sexo.
Isto exigiria uma série longa, e eu
preferiria não devotar semanas de tempo neste blog a um tópico que
levantei apenas com o objetivo de uma simples admoestação particular.
Mas aqueles que desejam conhecer minha exposição dos Cânticos de Salomão
ficarão felizes em encontrar notas completas sobre o texto na Bíblia de
Estudo MacArthur.
Aquelas notas devem ser uma resposta
suficiente àqueles que pretendem saber se o que estou falando é que
seria melhor não comentar os Cânticos de Salomão de maneira alguma.
É
claro que não é o que estou dizendo, nem pode alguém asseverar que
tenho afirmado implicitamente qualquer coisa do tipo — sem torcer minhas
palavras ou colocar suas palavras em minha boca. (Isto aconteceu
literalmente numa série de comentários em outro blog onde este artigo
estava em discussão. Um comentarista precipitadamente me acusou de
oposição a exposição linha-por-linha dos Cânticos. Em metade dos
comentários, as pessoas estavam pondo esta alegação entre aspas,
atribuindo-a a mim.)
O que estou dizendo é que os limites da
decência — especialmente quando se lida com temas como sexo — devem ser
aplicados a qualquer texto com o qual estejamos lidando. Interpretar a
bela poesia de modo a transformá-la num indecente pornô soft é corromper
a intenção primordial do texto.
Isto está longe de ser tão
difícil de entender como alguns estão imaginando, mas talvez um simples
paralelo seja suficiente: Existem outras funções privadas do corpo e
partes do corpo "menos honrosas" ou "indecorosas" (1 Coríntios 12:23).
Encontramos estas mencionadas ou aludidas às vezes nas Escrituras sem,
contudo, serem demasiadamente especificadas. Todos nós seriamos
certamente ofendidos se o pregador fizesse um longo discurso descritivo,
ou desse instruções do tipo "como-é", no culto de Domingo, sublinhando
aquelas coisas "indecorosas".
Por razões mais fortes que a
simples modéstia, certos atos envolvendo fornicação, auto-erotismo e
outras coisas que as pessoas geralmente "fazem em segredo", são
vergonhosas para serem discutidas em qualquer contexto público (Efésios
5:12), muito menos num culto da igreja. Elas podem ser temas adequados
para uma sessão de aconselhamento privado, para um consultório médico ou
para uma aula de biologia da faculdade, mas não são temas apropriados
para um culto onde Deus deve ser glorificado, onde Cristo deve ser
exaltado, onde respeito deve ser mostrado para com as mulheres, onde a
inocência das crianças deve ser resguardada e onde as curiosidades
luxuriosas de pessoas solteiras não devem ser inflamadas
desnecessariamente.
Quando um orador deliberadamente desperta
desejos que não podem ser realizados com retidão em universitários
solteiros, ou quando suas ilustrações pessoais deixam de preservar a
privacidade e honra de sua própria esposa, isto já é algo bem pior do
que meramente inapropriado. Quando feito repetidamente e com o
comportamento de um bad boy imaturo, tal prática reflete um defeito de
caráter maior, que é a desqualificação espiritual. Qualquer homem que
faz tais coisas demonstra simplesmente que a marca registrada de seu
estilo não está realmente acima de qualquer reprovação.
Tão recentemente como há uma década, este ponto de vista não teria levantado um pio de controvérsia.
O
fato de que isto é tão controverso agora é simplesmente uma prova a
mais de que os evangélicos têm se tornado parecidos demais com o mundo, e
muito confortáveis com as características maléficas de nossa cultura.
Amanhã,
se o Senhor quiser, postarei o capítulo final desta série. Várias
perguntas têm chegado repetidamente de pessoas que têm comentado sobre
estes artigos, e no capítulo final de amanhã quero responder o maior
número delas possível.
Postado em 15/09/2011 |
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 2 (O Estupro aos Cânticos de Salomão)
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 2
(O Estupro aos Cânticos de Salomão)
Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).
Francamente,
é difícil pensar em um abuso mais terrível da Escritura que transformar
os Cânticos de Salomão em pornô soft. Quando pessoas não conseguem mais
ler esta porção da Escritura sem que imagens pornográficas entrem em
suas mentes, a beleza do livro já tem sido corrompida, sua descrição da
justiça amorosa pervertida, e sua função na santificação e elevação do
relacionamento matrimonial desviada. Que pregadores façam isso no culto
público é inconcebível.
Os Cânticos de Salomão são
deliberadamente velados em eufemismos que, em qualquer medida,
mostram-se belos. Algumas das imagens são absolutamente óbvias, outras
altamente discutíveis. Em muitos lugares o significado é indistinto o
bastante para permitir uma grande dose de imaginação hermenêutica, e a
sabedoria parece ensinar que aqui — especialmente aqui — é melhor para o
pregador não ser muito mais explícito do que o foi o Espírito Santo.
E encaremos isto: em geral, o Cântico está tão longe do explícito quanto pôde o escritor fazê-lo.
Além
disso, desde que o simbolismo trata obviamente acerca de paixão,
romance, amor, desejo e ternura, sua ambigüidade serve a um propósito
deliberado: ela fala em termos secretos aquilo que deveria ser mantido
em secreto. A linguagem é claramente concebida para comunicar afeições
de privacidade íntima através de termos velados, confidenciais e quase
clandestinos.
Este é um ponto vital: O estilo da comunicação
entre aqueles dois amantes oculta belamente o significado mais essencial
de suas canções de amor, de um modo que preserva a profundidade da
privacidade pessoal (e divinamente pretendida) do leito conjugal.
O
Cântico de Salomão é incrivelmente belo precisamente por ser tão
cuidadosamente velado. É a perfeita descrição da maravilhosa e terna
descoberta da intimidade que Deus designou que acontecesse entre um
jovem homem e sua noiva num lugar de segredo. Nós não somos informados
em termos vívidos o que todas as metáforas significam, porque a beleza
da paixão conjugal está no olho do expectador — onde deve permanecer.
Tom Gledhill sabiamente resume este ponto em seu comentário sobre os Cânticos de Salomão (pp. 29-31):
Ao
desempacotar metáforas e desembrulhar eufemismos [nos Cânticos de
Salomão] pode acontecer que nossos pensamentos espiralem fora de
controle, e acabemos por cometer adultério em nossas imaginações. E o
que fazer então se a interpretação das Escrituras se mostrarem ser uma
pedra de tropeço, e uma causa de ofensa para alguns que crêem? ... Uma
vez que uma linha particular de interpretação tem sido sugerida, é
difícil não ver explícitas alusões sexuais em todos os lugares, até que
todo o trabalho se torna saturado de referências a genitália, relações
sexuais e sexo explícito.
... A resposta do Novo Testamento é
muito clara e direta. Jesus disse, "Se teu olho direito te faz pecar,
arranca-o... É melhor perder uma parte do corpo do que ter todo o corpo
lançado no inferno". Em outras palavras, não andemos em tentação de
olhos abertos quando conhecemos nossas áreas específicas de fraqueza.
...
A linguagem que usamos para descrever várias partes da anatomia humana
(o que o apóstolo Paulo descreve como nossas 'partes decorosas') é um
assunto para delicada sensibilidade... Quando [explicitadas
inapropriadamente] palavras são usadas em discurso verbal, uma profunda
desorientação toma lugar nos ouvintes, a qual tem uma tendência de
bloquear, em grande medida, qualquer capacidade adicional para uma
discussão racional. Eles agem, por assim dizer, como granadas de mão.
Seu uso é uma atividade terrorista, causando destruição desenfreada.
Tremper Longman III diz o seguinte acerca dos pregadores e
comentaristas que interpretam as imagens poéticas dos Cânticos em termos
abertamente explícitos: "A livre associação [deles] com as imagens dos
Cânticos é tão prevalecente que aprendemos muito mais sobre os
interpretes que sobre o texto" (NICOT, p. 14).
Considere, por
exemplo, a seguinte passagem de Cânticos de Salomão 4:12-16. Aqui
Salomão descreve sua noiva com uma metáfora complexa empregando símbolos
florais, e ela responde fazendo eco as imagens:
Jardim fechado é minha irmã, minha noiva,
Sim, jardim fechado, fonte selada.
Os teus renovos são um pomar de romãs,
Com frutos excelentes; a hena juntamente com nardo,
O nardo, e o açafrão, o cálamo, e o cinamomo,
Com toda sorte de árvores de incenso;
A mirra e o aloés, com todas as principais especiarias.
És fonte de jardim, poço de águas vivas,
correntes que manam do Líbano!
Levanta-te, vento norte,
E vem tu, vento sul;
Assopra no meu jardim, espalha os seus aromas.
Entre o meu amado no seu jardim,
E coma os seus frutos excelentes!
Salomão
descreve assim sua noiva como um jardim fechado e selado. Para ele, ela
é um lugar agradável, cheio de aromas encantadores e substâncias
tranqüilizantes. A descrição desenhada por ele é bela em todos os
níveis. Os detalhes ("frutas escolhidas, hena com nardo, o nardo e o
açafrão, o cálamo e o cinamomo... árvores de incenso, mirra" etc.) podem
ou não possuir significados específicos que teriam sido conhecidos pela
noiva.
O que todo interprete cauteloso pode dizer com certeza é
que Salomão considera sua noiva aprazível a todas as suas percepções
sensoriais. Ele, então, a compara à imagem mais agradável e bela que
pode imaginar — ungüentos, fragrâncias e deleites visuais — tudo
concentrado em um único e bem cultivado local. Um jardim. O jardim está
"fechado", o que, novamente, enfatiza a privacidade íntima do amor
conjugal puro.
Nada requer que o exegeta vá além disto. A própria Escritura não vai além disto.
"É
franco, mas não é grosseiro", disse Mark Driscoll num Domingo, a uma
congregação escocesa, a menos de 18 meses atrás. Mas então ele continuou
a parafrasear Salomão de uma maneira que foi totalmente grosseira e nem
remotamente próxima daquilo que o Espírito Santo pretendeu. (Uma cópia
em CD desta mensagem chocante, intitulada Sexo: Um Estudo das Partes
Boas dos Cânticos de Salomão, me foi enviada por alguns cristãos do
Reino Unido, profundamente ofendidos e preocupados. Esta é a razão
primária de eu estar fazendo esta série).
Na mente de Driscoll,
não é a noiva em si que é um jardim, mas uma parte específica de sua
anatomia. Da maneira que ele recria a passagem, não é um poema sobre o
deleite da privacidade que os cônjuges usufruem entre si; é uma maneira
sorrateira de expor abertamente essa intimidade para que todos possam
ver.
Em essência, ele trata os Cânticos de Salomão como a velha
lenda urbana acerca das letras de "Louie, Louie". Apenas aqueles com um
conhecimento secreto podem realmente entender; e, portanto, seu
verdadeiro significado deve ser algo sujo.
Esta abordagem
satisfaz ouvidos lascivos. É difícil vê-lo como algo diferente de mero
exibicionismo. O pior de tudo é que isto inverte todo o propósito dos
Cânticos de Salomão.
Tremper Longman estava certo: eisegesi como esta não revela nada acerca do livro, mas tudo acerca do interprete.
Postado em 15/09/2011 |
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John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 1
John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 1
Por John MacArthur Jr
Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).
Aparentemente,
o caminho mais curto para a relevância no ministério da igreja
atualmente é que o pastor fale sobre sexo em termos extravagantemente
explícitos durante o culto matinal de domingo. Se ele puder chocar os
paroquianos com palavras cruas e humor irreverente, tanto melhor. Os
defensores desta tendência nos informam solenemente que sem tal
estratégia é praticamente impossível se conectar com a "cultura" de
hoje. (No evangelicalismo contemporâneo, este termo tem se tornado um
rótulo conveniente para quase tudo que é inculto e grosseiro.)
Sermões
sobre sexo têm repentinamente se tornado uma grande moda no mundo
evangélico tal como a oração de Jabez jamais foi. Em todo lugar, ao que
parece, igrejas estão apresentando séries especiais sobre o assunto.
Algumas delas fazem propagandas com cartazes sugestivos, concebidos
propositadamente para ofender a sensibilidade de suas comunidades
conservadoras.
Realmente, alguns pastores têm ganhado ampla
cobertura na mídia pela edição de "desafios sexuais" para membros de
igrejas. Estes são esquemas que propõem sexo diário obrigatório para
cônjuges durante um período de tempo específico — geralmente entre sete a
quarenta dias. (Como as pessoas prestam conta disto é uma questão que
tenho medo de levantar.)
Eu seria o último a sugerir que os
pregadores evitassem totalmente o tema do sexo. A Escritura tem muito a
dizer sobre o assunto, a começar com as primeiras palavras de Deus a
Adão e Eva ("Frutificai e multiplicai-vos" — Gênesis 1:22). A lei de
Deus possui numerosos mandamentos que regem o comportamento sexual, e o
Novo Testamento reafirma repetidamente o padrão de pureza sexual do
Antigo Testamento. Finalmente, nos capítulos finais da Escritura somos
informados de que pessoas sexualmente imorais serão lançadas no lago de
fogo (Apocalipse 21:8). Portanto, não há maneira de pregar todo o
conselho de Deus sem mencionar o sexo.
Mas a linguagem que a
Escritura emprega quando lida com o relacionamento físico entre marido e
mulher é sempre cuidadosa — muitas vezes simples, algumas vezes
poética, usualmente delicada, freqüentemente silenciada por eufemismos,
mas nunca completamente explícita. Não há indício de lascívia
irreverente na Bíblia, mesmo quando o claro propósito do profeta é
chocar (como quando Ezequiel 23:20 compara a apostasia de Israel a um
ato de fornicação grosseira motivada pelo desejo de bestialidade).
Quando um ato de adultério é parte da narrativa (tal como o pecado de
Davi com Bate-Seba), ele nunca é descrito de uma maneira que agradaria
uma imaginação lasciva ou despertaria pensamentos luxuriosos.
A
mensagem da Escritura a respeito do sexo é simples e consistente do
começo ao fim: a total intimidade física dentro do casamento é pura e
deve ser desfrutada (Hebreus 13:4); mas remova o pacto do casamento da
equação e toda atividade sexual (incluindo aquela que ocorre apenas na
imaginação) nada mais é que fornicação, um pecado grave que é
especialmente profano e escandaloso — tanto que até falar
inapropriadamente a respeito é vergonhoso (Efésios 5:12).
Acima
de tudo, a Escritura nunca se rebaixa ao nível sensacionalista da
educação sexual contemporânea. A Escritura não tem um correspondente ao
Kama Sutra Hindu (um antigo manual de sexo sânscrito supostamente
transmitido pelas deidades Hindus). Nada nas Escrituras dá qualquer
vívida instrução, do tipo "como fazer", a respeito da relação física
dentro do casamento.Isto inclui o Cantares de Salomão.
De fato, o
poema amoroso de Salomão sintetiza a abordagem exatamente contrária. É,
naturalmente, um longo poema sobre namoro e amor conjugal. Ele está
cheio de eufemismos e imagens descritas. Todo o seu intuito é expressar
gentilmente, sutilmente e elegantemente a intimidade emocional e física
do amor conjugal — em linguagem adequada para qualquer público.
Mas
tem se tornado popular em certos círculos empregar extremas descrições
gráficas de intimidade física como um meio de expor os eufemismos do
poema de Salomão. À medida que esta tendência se desenvolve, cada novo
palestrante parece encontrar algo mais chocante nas metáforas que
qualquer de seus predecessores jamais sequer imaginou.
Assim,
somos informados que a linguagem poética de Sulamita ao invocar as
delícias de uma macieira (Cânticos 2:3) é uma metáfora para sexo oral. O
conforto e deleite de um simples abraço (2:6) não é nada do que parece
ser. Aparentemente é impossível descrever o que este versículo realmente
significa sem mencionar certas partes inomináveis do corpo.
Somos
ainda assegurados de que os significados chocantes escondidos nesses
textos não são meramente descritivos; eles são prescritivos. A gnose
secreta dos Cânticos de Salomão retrata atos que as mulheres devem fazer
obrigatoriamente se isto for o que satisfaz seus maridos,
independentemente do desejo ou consciência da própria esposa. Foi-me
dada recentemente uma gravação de uma dessas mensagens, onde o
palestrante dizia: "Senhoras, deixem-me garantir-lhes isto: se você acha
que está sendo suja, ele ficará muito feliz."
Tais
pronunciamentos são usualmente feitos em meio a gargalhadas ruidosas,
mas evidentemente se espera que os levemos a sério. Quando a gargalhada
se extinguiu, aquele palestrante acrescentou, "Jesus Cristo ordena que
você faça isto."
Essa abordagem não é exegese; é exploração. É
contrária ao estilo literário do próprio livro. É espiritualmente
equivalente a um ato de estupro. É rasgar o belo vestido poético dos
Cânticos de Salomão, despir aquela porção da Escritura de sua dignidade,
e apresentá-la para que seja ridicularizada e encarada com malícia de
uma maneira carnal.
Mark Driscoll tem conduzido o desfile por
este caminho carnal. Ele é de longe o proponente popular mais conhecido e
mais prolífico desta maneira de lidar com os Cânticos de Salomão. Ele
tem dito repetidamente que esta é sua passagem favorita da Escritura, e
tem se voltado para ela mais e mais nos últimos anos, culminando em uma
série altamente divulgada e lançada em vídeo ano passado via internet.
Continuo
encontrando jovens pastores que estão seguindo agora este mesmo
exemplo, e estou bastante surpreso de que esta tendência tenha sido tão
bem aceita na igreja, sem praticamente nenhuma crítica significativa e
sem levantar sérias objeções. Então, nos próximos dois dias vamos
analisar e criticar esta abordagem dos Cânticos de Salomão, incluindo
uma olhada em alguns exemplos específicos onde a linha da decência tem
sido claramente ultrapassada.
Postado em 15/09/2011
Série Heresias neopentecostais: Atos proféticos Por Renato Vargens
Apesar de alguns evangélicos afirmarem que o Brasil experimenta um grande avivamento, vivemos dias extremamente complicados. Infelizmente a cada dia que passa, eis que surgem retumbante nesta terra tupiniquim devastadoras heresias.
Em Curitiba,
um grupo de irmãos, liderado pelo pastor da igreja, entendeu que
deveria demarcar seu território com urina, como fazem os leões e lobos.
Após beberem muita água para encher bem a bexiga, seguiram para pontos
estratégicos da cidade e passaram a URINAR decretando a vitória do
Senhor. Numa cidade do norte do Estado do Rio de Janeiro, um pastor
resolveu confrontar o “padroeiro” do município. Para tal, ele vestiu-se
de branco, colocou uma coroa na cabeça, montou em um cavalo também
branco, escreveu na sua coxa rei dos reis e adentrou as portas da cidade
dizendo que a partir daquele instante o padroeiro daquele lugar não era
mais são Jorge e sim Jesus Cristo.
O Ministério apostólico Libertador de Israel nos mostra outros tipos de atos proféticos:
- Cortar fios ou fitas, simbolizando a destruição de redes de tráfico e crime organizado.
- Quebrar botija, simbolizando a quebra de sistemas mundanos.
- Jogar flechas
- Sentar em torno de uma mesa, simbolizando a restauração familiar.
- Arrancar e plantar árvores, simbolizando retirada dos maus frutos e começo dos bons.
- Enterrar e desenterrar dinheiro, simbolizando arrancar os tesouros escondidos.
- Orar em frente a grandes bancos, ordenando a liberação financeira.
- Ungir em frente a locais de idolatria.
- Fincar estacas demarcando limites para conquista
- Dar sete voltas em torno de locais a serem conquistados.
- Rasgar papéis que simbolizam contratos espirituais.
- Marchas proféticas delimitando territórios.
Caro leitor, vamos
combinar uma coisa? Esse povo ensandeceu! Eu não consigo imaginar Paulo e
Pedro agindo desta maneira. Sinceramente eu não sei de onde esses caras
tiram essas idéias! Ora, isso está mais para macumba do que para
Cristianismo. Prezado amigo o evangelho de Cristo é simples (2 Co
11.3,4). Nossa missão é orar e jejuar, amar e estudar a Palavra de Deus,
além de anunciar com intrepidez a mensagem da cruz ao mundo perdido (1
Co 1.18,22,23; 2.1-5). Nada além disso!
Sem a menor sombra de dúvidas as praticas litúrgicas dos neopentecostais fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, onde o misticismo, a “mercantilização” da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar. Ao ler aberrações como as narradas acima, sinto-me profundamente inquieto com os rumos da igreja brasileira.
Isto posto, faço minhas as palavras do reformador alemão Martinho Lutero:
“Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir”
O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.
Em tempos difíceis como o nosso precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim conseguiremos corrigir as distorções evangélicas que tanto nos tem feito ruborizar.
Pense nisso!
***
Postado por Renato Vargens, no Púlpito Cristão
terça-feira, 22 de maio de 2012
Pneumatologia - Doutrina Do Espirito Santo.
A Doutrina do Espírito Santo: Um Esboço do Estudo Sobre a Pessoa e a Obra do Espírito Santo - Ron Crisp. Livro.
- [01] UMA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO ESPÍRITO SANTO
- [02] A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
- [03] A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO
- [04] A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO NO VELHO TESTAMENTO
- [05] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO A CRISTO
- [06] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA INSPIRAÇÃO
- [07] AS FIGURAS SIMBÓLICAS DO ESPÍRITO SANTO
- [08] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA GRAÇA COMUM PARTE I
- [09] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA GRAÇA COMUM PARTE II
- [10] A OBRA PREPARATÓRIA DO ESPÍRITO NA SALVAÇÃO
- [11] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA REGENERAÇÃO
- [12] A HABITAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
- [13] A OBRA DO ESPÍRITO NA SEGURANÇA
- [14] O CONSOLADOR
- [15] O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA
- [16] O ESPÍRITO SANTO COMO PROFESSOR
- [17] O ENCHER-SE DO ESPÍRITO SANTO
- [18] O FRUTO DO ESPÍRITO
- [19] PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
- [20] O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
- [21] OS DONS DO ESPÍRITO
- [22] OS DONS TEMPORÁRIOS
- [23] A SAÚDE E O DOM DE CURA
- [24] O DOM DE LÍNGUAS
- [25] ADENDA DE ATOS 19:1-7
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