segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Espante-se!! Um dos versos mais surpreendentes da Bíblia!!


A Bíblia está cheia de passagens surpreendentes, mas tenho que admitir que muitas vezes me surpreendo com o que já devia não me surpreender mais. Nossas mentes parecem incapazes de enxergar a profundidade da depravação do coração do homem e como ele é desesperadamente impotente.

Um dos textos mais incríveis e surpreendentes em toda a Escritura está em Mateus 28. Neste capítulo temos muito do que lembrar constantemente. A Grande Comissão (Mateus 28.19-20) – mas não é a esta porção que me refiro agora. Há também o cenário maravilhoso da ressurreição de Jesus e a reação de surpresa, espanto que envolveu as mulheres que foram ao sepulcro (Mateus 28.1-10). Mas o mais surpreendente neste texto maravilhoso é uma única frase que está no verso 17:

“E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”

Essa é uma das coisas mais incríveis que já li. Jesus ressuscitou e ordenou aos seus discípulos que fossem a Galiléia para encontrá-lo lá. Eles foram, e quando o viram eles o adoram, “MAS ALGUNS DUVIDARAM!”

JESUS! Ele tinha sido crucificado diante deles, ele foi espancado, chicoteado... ele sofreu tanto que não parecia mais um ser humano. Ele foi pregado numa cruz romana. Ele foi traspassado por uma lança para confirmar a sua morte. Seu corpo foi envolto numa mortalha, eles o puseram num túmulo que foi lacrado e vigiado por soldados romanos por três dias. Agora, esse mesmo Jesus está diante deles vivo. Fisicamente presente, literalmente presente em carne. Ele está falando com eles... eles podem tocá-lo...

"Mas alguns duvidaram."

Você pode entender a dificuldade de muitos em nossos dias em acreditar que Jesus está vivo – Hoje as pessoas não podem vê-lo, tocá-lo, ouvir sua própria voz ressoando nos seus tímpanos... você pode achar que isso é razoável – Você pode achar que em outras circunstâncias o homem teria facilidade de crer - mas entenda, a incredulidade do homem em relação a Deus está encravada nas profundezas de sua natureza caída.

Aquelas pessoas na Galiléia estavam diante de Cristo vivo, fisicamente diante deles. Ele está ali de pé diante deles. Falando com eles...
E eles ainda duvidaram.
Este é um lembrete muito importante para mim e deve ser para você também, principalmente vivendo numa época em que se insiste em crer que estratégias missionais podem convencer um homem a crer com o coração para a vida. Sem a intervenção Soberana do Espírito, sem Deus abrir os nossos olhos ( e você não pode estabelecer metas mensais e anuais para Deus fazer isso.. Esta é uma obra SOBERANA) – sem Deus curar a cegueira do coração e dar um coração para compreender e crer no evangelho, nenhum homem irá crer.

Mesmo que ao invés de estratégias da sabedoria humana nós tivéssemos como deixar as pessoas examinarem provas incontestáveis... ( Como aquelas pessoas estavam vendo, ouvindo e tocando o homem que tinha sido torturado, crucificado e morrido diante dos olhos deles ) ainda assim o homem natural encolheria os ombros dizendo: “É... ainda não tenho certeza, não estou convencido...”

O problema não é natural – eis a inutilidade de acreditarmos que podemos de alguma forma achar uma maneira de vencer a inimizade do homem natural a verdade de Deus – “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” - Romanos 8:7-8 – É a própria incredulidade ao que Deus diz que faz homens acreditarem que podem achar maneira eficazes de acrescentar homens ao Reino de Deus.
Salvo intervenção Soberana do Espírito Santo, não há nenhuma esperança para o homem.
Curiosamente, há uma grande dose de conforto a ser encontrado aqui. Nos livra da pressão que vem com o evangelismo centrado na capacidade humana. Talvez você tenha sido exposto à noção de que se você não está levando um número X de pessoas para fazer uma profissão de fé a cada ano, você não é um bom cristão e que há algo de errado com seu relacionamento com Jesus. A noção comum em nossos dias que você não deve apenas ser fiel na proclamação da Verdade, mas que deve encontrar maneiras e estratégias de levar as pessoas a crerem, a  noção da necessidade de fazer entalhes em seu cinto espiritual, marcar suas conquistas para Deus. Encontrar maneiras não de ser fiel, mas de ser eficiente como o que conquista a mente do homem que  naturalmente é inimiga de Deus.
Muitos dirão que não creem nisso... mas a ênfase profusa em livros, estratégias... estratégias para cada faixa etária... estratégias para cada tribo urbana... grita que essa é a verdade, não se propaga com tanto barulho aquilo que não achamos ser decisivo. Não falamos com tanto entusiasmo daquilo que achamos não ter poder nenhum para fazer qualquer diferença no processo.

Mas este versículo, entre muitos, muitos outros, nos faz lembrar de que podemos fazer o melhor trabalho em viver e anunciar Cristo ( Mesmo que tivéssemos a “estratégia perfeita” – que era poder mostrá-lo ao vivo, para as pessoas tocarem nele, ouvirem sua voz... );  a menos que o Espírito abra os olhos de uma pessoa, eles nunca, nunca vão crer.

“E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Doutrina da Santificação na História – Louis Berkhof

1. ANTES DA REFORMA. No desenvolvimento histórico da doutrina da santificação, a Igreja preocupou-se primeiramente com três problemas: (a) a relação da graça de Deus na santificação com a fé; (b) a relação da santificação com a justificação; e (c) o nível da santificação nesta existência. Os escritos dos chamados primeiros pais da Igreja contêm muito pouca coisa a respeito da doutrina da santificação. Um ar de moralismo transparece em que o homem era ensinado a depender da fé e das boas obras para a salvação. Ele deve levar uma vida virtuosa e. assim, merecer a aprovação do Senhor. "Tal dualismo", diz Scott em sua The Nicene Theology (Teologia Nicena),292 "deixava os domínios da santificação só diretamente relacionados com a redenção em Cristo; e foi este o campo em que, naturalmente, se desenvolveram concepções defeituosas do pecado, o Legalismo, o Sacramentalismo, o falso sacerdócio e todos os excessos da devoção monacal". O Ascetismo veio a ser considerado da maior importância.

Havia também a tendência de confundir a justificação com a santificação, Agostinho foi o primeiro a desenvolver idéias um tanto definidas de santificação e as suas opiniões tiveram determinante influência sobre a Igreja da Idade Média. Ele não distinguia claramente entre a justificação e a santificação, incluindo a última na primeira. Desde que ele cria na corrupção total da natureza humana, ocasionada pela Queda, pensava na santificação como uma nova comunicação da vida divina, uma nova energia infusa, operando exclusivamente dentro dos limites da Igreja e mediante os sacramentos. Conquanto não tenha perdido de vista a importância do amor pessoal a Cristo como um elemento constitutivo da santificação, manifestava a tendência para uma visão metafísica da graça de Deus na santificação - para considerá-la um depósito de Deus no homem. Ele não acentuava suficientemente a necessidade de uma constante preocupação da fé com Cristo Redentor como o fator mais importante da transformação da vida cristã. As tendências patentes nos ensinos de Agostinho frutificaram na teologia da Idade Média, que se vê em sua elaboração mais desenvolvida nos escritos de Tomás de Aquino. Não se distinguem claramente a justificação e a santificação, mas, segundo essa concepção, aquela inclui a infusão da graça divina, como uma coisa substancial, na alma humana. Esta graça é uma espécie de donum superadditum (dom superádito), pelo qual a alma é elevada a novo nível ou a uma ordem superior do ser, e é capacitada a cumprir o seu destino celestial de conhecer, possuir e fruir a Deus. 

A graça é derivada do inexaurível tesouro dos méritos de Cristo e é infundida nos crentes por meio dos sacramentos. Vista do ponto de vista divino, esta graça santificadora na alma assegura a remissão do pecado original, infunde um hábito permanente de retidão inerente, e leva consigo o potencial posterior desenvolvimento, e até de perfeição. A partir dela a nova vida se desenvolve, com todas as suas virtudes. Sua obra pode ser neutralizada ou destruída por pecados mortais; mas a culpa contraída após o batismo pode ser removida pela eucaristia, no caso dos pecados veniais, e pelo sacramento da penitência, no caso dos pecados mortais. Consideradas do ponto de vista humano, as obras sobrenaturais da fé, operando pelo amor, têm mérito perante Deus e garantem um aumento da graça. Contudo, tais obras são impossíveis sem a contínua operação da graça de Deus. O resultado do processo todo era conhecido como justificação, em vez de santificação; consistia em tornar justo o homem diante de Deus. Estas idéias estão incorporadas nos cânones e decretos do Concilio de Trento.

2. DEPOIS DA REFORMA. Ao falarem de santificação, os reformadores davam ênfase à antítese de pecado e redenção, e não à de natureza e supernatureza. Eles faziam clara distinção entre justificação e santificação, considerando a primeira como um ato legal da graça divina, afetando a posição judicial do homem, e a última como uma obra moral ou recriadora, mudando a natureza interior do homem. Mas, enquanto faziam cuidadosa distinção entre as duas,também salientavam a sua inseparável conexão. Embora profundamente convictos de que o homem é justificado somente pela fé, também compreendiam que a fé que justifica não está sozinha.

A justificação é imediatamente seguida pela santificação, visto que Deus envia o Espírito de seu Filho aos corações dos que lhe pertencem, tão logo são justificados, e esse Espírito e o Espírito de santificação. Eles não consideravam a graça da santificação como uma essência sobrenatural infusa no homem através dos sacramentos, mas como uma sobrenatural e graciosa obra do Espírito Santo, primariamente mediante a Palavra, e secundariamente mediante os sacramentos, pela qual ele nos livra mais e mais do poder do pecado e nos habilita a praticar boas obras.

Embora de modo algum confundindo a justificação com a santificação, sentiam a necessidade de preservar a mais estreita relação possível entre aquela, na qual a livre e perdoadora graça de Deus é fortemente acentuada, e esta, que requer a cooperação do homem, com o fim de evitarem o perigo da justiça das obras. No Pietismo e no Metodismo, forte ênfase foi dada à comunhão constante com Cristo como o grande meio de santificação.

Exaltando a santificação em detrimento da justificação, nem sempre evitaram o perigo da justiça própria. Wesley não distinguia meramente entre a justificação e a santificação, mas praticamente as separava, e falava da santificação completa como um segundo dom da graça, seguindo-se ao primeiro, a justificação pela fé, após um período mais curto ou mais longo. Embora também falasse da santificação como um processo, todavia afirmava que o crente deve rogar e buscar a santificação completa e definitiva, efetuada por um ato definido de Deus.

Sob a influência do racionalismo e do moralismo de Kant, a santificação deixou de ser considerada como uma obra sobrenatural do Espírito Santo na renovação dos pescadores, e foi rebaixada ao nível de um simples melhoramento moral obtido pelos poderes naturais do homem. Para Schleiermacher isso era simplesmente o progressivo domínio da consciência de Deus dentro de nós sobre a consciência humana do mundo, meramente perceptiva e sempre moralmente defeituosa. E para Ritschl isso era a perfeição moral da vida cristã a que chegamos pelo cumprimento da nossa vocação como membros do reino de Deus. Em grande parte da Teologia Liberal moderna, a santificação consiste apenas na sempre crescente redenção do ser inferior do homem mediante o domínio do seu ser superior. Redenção pelo caráter é um dos lemas dos dias amais, e o termo "santificação" veio a significar mero melhoramento moral.

 http://www.ocalvinismo.com/2010/05/doutrina-da-santificacao-na-historia.html

A Idéia Bíblica de Santidade e Santificação – Louis Berkhof Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com/2010/12/ideia-biblica-de-santidade-e.html#ixzz23YvFnd1N

 
1. NO ANTIGO TESTAMENTO. Na Escritura, a qualidade da santidade aplica-se primeira¬mente a Deus, e, aplicada a ele, sua idéia fundamental é a de inacessibilidade. Esta se baseia no fato de que Deus é divino e, portanto, absolutamente distinto das criaturas. Neste sentido, a santidade não é apenas um atributo em coordenação com os demais em Deus. Ele é santo em sua graça bem como em sua justiça, em seu amor bem como em sua ira. Estritamente falando, a santidade só vem a ser um atributo no sentido ético posterior da palavra. O sentido ético do termo desenvolveu-se do sentido de majestade.
Este desenvolvimento parte da idéia de que um ser pecador está mais agudamente cônscio da majestade de Deus, do que um ser sem pecado. O pecador fica ciente da sua impureza quando esta é contrastada com a majestosa pureza de Deus, cf. Is 6. Otto  fala da santidade no sentido original, como numinosa,  e se propõe denominar a reação típica a isto "sentimento de criaturidade, ou consciência de ser criatura", uma desvalorização do ego, reduzindo-o à nulidade, ao passo que fala da reação à santidade no sentido ético derivado como um "sentimento de profanidade". Assim é que se desenvolve a idéia da santidade como pureza majestosa ou sublimidade ética. Esta pureza é um princípio ativo em Deus, que necessariamente se afirma a si próprio e defende a sua honra. Isto explica o fato de que a santidade é apresentada na Escritura também como a luz da glória divina transformada num fogo devorador, Is 5.24; 10.17; 33.14,15.
Em contraste com a santidade de Deus, o homem se sente não meramente insignificante, mas positivamente impuro e pecaminoso, e, como tal, como objeto da ira de Deus. Deus revelou no Antigo Testamento a sua santidade de várias maneiras. Ele o fez com terríveis juízos sobre os inimigos de Israel, Ex 15.11,12. Também o fez separando para si um povo, que ele retirou do mundo, Êx 19.4-6; Ez 20.39-44. Tomando e retirando este povo do mundo impuro e ímpio, ele protestou contra esse mundo e seu pecado. Além disso, ele o fez repetidamente, poupando o seu povo infiel, porque não queria que o mundo não santo se regozijasse com aquilo que poderia considerar fracasso em sua obra, Os 11.9.
Num sentido derivado, a idéia de santidade também é aplicada a coisas e pessoas que são colocadas numa relação especial com Deus. A terra de Canaã, a cidade de Jerusalém, o monte-templo, o tabernáculo e o templo, os sábados e as festas solenes de Israel - todas estas coisas são chamadas santas, visto serem consagradas a Deus e introduzidas no resplendor da sua augusta santidade. Similarmente, os profetas, os levitas e os sacerdotes são chamados santos na qualidade de pessoas que foram separadas para o serviço especial do Senhor. Israel tinha os seus lugares sagrados, as suas épocas sagradas, os seus ritos sagrados e as suas pessoas sagradas. Contudo, esta ainda não é a idéia ética da santidade. Uma pessoa podia ser sagrada e, todavia, estar inteiramente vazia da graça de Deus em seu coração. Na antiga dispensação, como também na nova, a santidade ética resulta da influência renovadora e santificante do Espírito Santo. Deve-se lembrar, porém, que mesmo quando a concepção de santidade é completamente espiritualizada, sempre expressa uma relação. Nunca a idéia de santidade é a de bondade moral, considerada em si mesma, mas sempre é a idéia de bondade ética vista em relação com Deus.

2. NO NOVO TESTAMENTO. Ao passarmos do Antigo Testamento para o Novo, damo-nos conta de uma notável diferença. Enquanto no Antigo Testamento não há nem um só atributo de Deus que sequer lembre alguma semelhança com a proeminência dada a sua santidade, no Novo Testamento raramente se atribui santidade a Deus. Exceto nalgumas citações do Antigo Testamento, somente nos escritos de João a santidade é atribuída a Deus, Jo 17.11; lJo 2.20; Ap 6.10. Com toda a probabilidade, a explicação para isso está no fato de que a santidade, no Novo Testamento, projeta-se como a característica especial do Espírito Santo, por quem os crentes são santificados, são qualificados para o serviço e são conduzidos ao seu destino eterno, 2Ts 2.13; Tt 3.5.
A palavra hagios é empregada em conexão com o Espírito de Deus cerca de cem vezes. Contudo, a concepção de santidade e de santificação no Novo Testamento não é diferente da que se vê no Antigo Testamento. Tanto naquele como neste a santidade, num sentido derivado, é atribuída ao homem. Num e no outro a santidade ética não é mera retidão moral, e nunca a santificação é mero melhoramento moral. Há confusão destas duas coisas atualmente, quando falam em salvação pelo caráter. Um homem pode gabar-se de um grande melhoramento moral, e, todavia, não ter nenhuma experiência da santificação. A Bíblia não insiste no progresso moral puro e simples, mas no progresso moral em relação com Deus, em atenção a Deus e com vistas ao serviço de Deus. Ela insiste na santificação. Justamente neste ponto, muita pregação ética dos dias atuais é completamente enganosa; e o corretivo para isto está na apresentação da verdadeira doutrina da santificação. Pode-se definir a santificação como a graciosa e contínua operação do Espírito Santo pela qual ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza à imagem de Deus, e o capacita a praticar boas obras.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 4 Por John MacArthur Jr (O Estupro dos Cânticos de Salomão)

John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 4

Por John MacArthur Jr

(O Estupro dos Cânticos de Salomão)


Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).

Antes de encerrarmos esta breve série, prometi responder tantas perguntas quanto possível daquelas pessoas que têm comentado aqui, via e-mail, através do Twitter e no [url=http://www.challies.com' target='_blank'>Challies.com[/url].

Primeiramente, gostaria de agradecer a Tim Challies pela coragem em hospedar uma discussão acerca deste tópico. A simples menção de boas maneiras e linguagem, obviamente suscita paixões no evangelicalismo contemporâneo – e não necessariamente de uma maneira que seja útil. Não é fácil encontrar fóruns na internet onde uma questão tão volátil pode ser discutida abertamente com lucro. E, devido a alguns dos vários problemas que esta série tem abordado, mesmo fóruns Cristãos não são sempre um paraíso a salvo da profanação e do comportamento grosseiro e carnal. Sou grato ao Tim por assegurar um nível mais digno de diálogo.

Faço eco ao choque total que Tim expressou quando foi exposto a algo do material do sermão de Driscoll na Escócia (a mensagem que disparou esta série neste blog). Após ler algumas das declarações ultrajantes de Driscoll, Tim reagiu da mesma maneira que qualquer Cristão de mente pura reagiria:

Eu tenho um verdadeiro problema com qualquer um que interprete os Cânticos de Salomão deste jeito... Para ser honesto, as palavras me faltam quando eu sequer tento me explicar – quando eu tento explicar como eu simplesmente não posso sequer conceber os Cânticos de Salmão assim. A natureza poética dos Cânticos é inteiramente corroída quando atribuímos tal significado a eles: tal significado específico. E eu fico pensando qual o bem que pode fazer a um casal estar apto a dizer "Veja, este ato sexual específico é obrigatório na Escritura. Portanto, vamos praticá-lo". Isso pode ser dito a um cônjuge que não tem desejo de fazer este ato, ou que até mesmo o considera de mau gosto. E ainda, com nossa interpretação dos Cânticos de Salomão, a qual realmente não temos meios de provar (pelo menos, não para além de qualquer dúvida razoável), estamos potencialmente forçando um parceiro relutante a fazer algo. Eu apenas... novamente, as palavras realmente me faltam aqui.

Tim, você estava certo em ficar chocado. A coisa mais chocante para mim é que algumas pessoas não parecem estar chocadas de maneira alguma. O que facilmente receberia do mundo uma classificação NC-171, está sendo divulgado e defendido por alguns na igreja. Devo explicar que não uso a internet diretamente; Eu nem sequer possuo um computador ou uma conexão a internet em minha casa. Sou totalmente dependente da equipe e dos estagiários no ministério pastoral que imprimem o material que preciso para ler e garantem que eu o consiga.

Portanto, para aqueles que talvez esperassem que eu interagiria com seus comentários em tempo real no blog, simplesmente não tenho meios fáceis de fazer isto. Faço uma varredura nos comentários quando os recebo – que usualmente não é até o dia seguinte – mas não posso responder os comentários do blog diretamente, nem seria capaz de devotar meu tempo aos fóruns de internet mesmo se estivesse conectado.

Mas, quero aproveitar esta oportunidade para responder as perguntas mais freqüentes dos últimos dias. Praticamente todos os questionamentos e críticas que têm sido levantados podem ser agrupados em duas categorias. Alguns poucos são questionamentos e observações sobre a interpretação adequada dos Cânticos de Salomão. Praticamente todo o restante tem a ver com minhas críticas a Mark Driscoll. Responderei muitos questionamentos da primeira categoria e sumariarei minhas respostas a segunda categoria em duas respostas finais.

1. Podemos "dar o sentido" quando pregamos a poesia sem fazer uma exposição versículo por versículo, preceito por preceito? Ou é melhor deixá-lo "cuidadosamente velado" como MacArthur escreve?

A pergunta interpreta erroneamente o que eu disse. Nunca sugeri que o claro significado de qualquer texto deva ser "cuidadosamente velado". Eu apontei para o fato de que algumas coisas na Escritura estão cuidadosamente veladas, e nós não devemos impor nossas próprias interpretações especulativas sobre elas.

Em outras palavras, estou incitando os pastores a lidar com o que o texto diz, e se afastar de impor um estilo gnóstico de significados secretos sobre as idéias que são deliberadamente deixadas obscurecidas ou totalmente escondidas pelo Espírito Santo.

Não estou dizendo nada além do que diria sobre interpretações especulativas de qualquer parte da Escritura: isto é insensato. Não, isto é seriamente perigoso. "As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós..." (Deut. 29:29).

Também estou dizendo que o modo como o Espírito discursa sobre a santa intimidade e privacidade do amor conjugal é a antítese do tipo grosseiro das pseudo-interpretações gráficas que alguns evangélicos contemporâneos parecem almejar.

2. Os Cânticos de Salomão são um livro explicitamente erótico. Como pode você possivelmente argumentar que este livro da Bíblia, o qual é a Santa Palavra de Deus, é qualquer coisa, menos "completamente explícito"? Não é uma negação do óbvio afirmar que os Cânticos de Salomão não são uma bela descrição gráfica de sexo?

Explícito – ek • SPLIS • isto – Expressar distintamente tudo o que se entende; não deixando nada meramente implícito ou sugerido; sem ambigüidades.

Desde que não há nenhuma menção de uma parte reprodutiva do corpo ou ato sexual nos Cânticos de Salomão, nenhum comentarista dos Cânticos que se preze jamais faria sequer tal afirmação acerca deste livro. Além do mais (e este é o ponto chave de toda a discussão), os Cânticos de Salomão não são literatura "erótica" em qualquer sentido que seja – i. é., não se destina a despertar os leitores sexualmente. Claramente, ele nunca deveria ser pregado de uma maneira que tenha este efeito. Este é um ponto tão óbvio que apenas um explorador do livro o ignoraria por interesses lascivos.

3. Você não vê a distinção entre metáfora e eufemismo?

É claro. Mas as vezes uma metáfora é também um eufemismo, e este é claramente o caso de algumas das disputadas imagens dos Cânticos de Salomão. Não há meio exegético para decidir o que as várias jóias, flores, aromas, óleos e outros prazeres sensuais nomeados no poema representam na mente do autor. Ele propositalmente os deixa vagos. Portanto, não significa necessariamente que os símbolos devam ter qualquer relação de um-para-um com as realidades correspondentes; ao contrário, eles são emblemas gerais da beleza e do desejo. Salomão usa o simbolismo ao invés de dizer qualquer coisa explícita – o que (por definição) torna aquelas metáforas eufemísticas também.

Ao longo daquelas linhas, Richard Hess, nas páginas 34-35 de seu Baker Old Testament Commentary, observa os perigos da leitura demasiada das belas metáforas dos Cânticos:

As metáforas dos Cânticos são as mais ricas de qualquer dos livros da Bíblia. De qualquer modo, não pretendem prover uma simples correspondência do tipo um-para-um. De fato, os intérpretes são mais susceptíveis a perderem-se em absurdos quando se esforçam para igualar as coisas onde elas não são explícitas... A melhor interpretação deve manter-se sensível à linguagem das imagens e tentar seguir seus contornos sem impor demasiada exigência sobre os detalhes de interpretação... Os cânticos não apresentam entretenimento a seus leitores através de exposições lascivas, nem os educa como um manual de sexo.

4. Será que seus escrúpulos acerca de descrições gráficas de atos sexuais não são culturais e produtos de uma geração? Talvez a cultura na qual você ministra não seja tão desinibida quanto as sub-culturas que outros pregadores estão tentando alcançar.

Sexo não é algo novo na era pós-moderna. Cada cultura e cada geração tem lidado com as mesmas obsessões e perversões que lidamos hoje – embora nem sempre com a mesma auto-indulgência desenfreada que nossa cultura tem encorajado. Cada cristão tem sempre encarado os mesmos desejos e tentações que nos assaltam: "Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão a que é comum ao homem" (1 Coríntios 10:13).


Aqueles que pensam que a pornografia e a libertinagem desenfreada não eram comuns na era pré-internet devem visitar as ruínas de Pompéia e ver como era a vida na cultura de Roma durante a geração do apóstolo Paulo.

Paulo ministrou em culturas muito menos "inibidas" que a nossa. No entanto, quando ele achou necessário lidar com tópicos sexuais – seja para dar instruções positivas sobre a relação no casamento ou exortações negativas acerca de pecados sexuais – ele nunca falou em termos sexualmente gráficos.

Além disso, o que era pecaminoso na era de Paulo ainda é pecaminoso em nossa cultura saturada de pornografia. E a estratégia de Paulo para alcançar os Coríntios (uma das sub-culturas mais pervertidas sexualmente já conhecida) é a mesma estratégia que devemos usar hoje. Isto inclui alguns cuidados, dignidades e ensino autenticamente bíblico sobre questões de sexo (cf. 1 Coríntios 7). Santidade, e não um método de como aconselhar sobre sexo, é o coração do que os pastores deveriam estar ensinando sobre sexo (especialmente em uma cultura viciada em sexo). E nosso ensino sobre o assunto deve ser feito com graça, dignidade e santificação, não na forma de uma comédia erótica.

A verdade é que a Palavra de Deus nunca dá instruções específicas sobre os detalhes das preferências sexuais de um casal em sua vida sexual. Sermões que pretendem encontrar tais instruções, como a preocupação sexual demonstrada nesses assaltos aos Cânticos de Salomão, são mais prejudiciais que úteis – porque erguem a imaginação do pregador a uma posição mais elevada de proeminência e autoridade do que a verdadeira revelação de Deus.

Nem Paulo ou qualquer outro legítimo líder da igreja em 2000 anos têm sequer achado necessário (ou mesmo útil) utilizar a sabedoria das ruas para a educação sexual – nem como uma estratégia evangelística, e certamente nem como um meio de santificação para as pessoas já dominadas pela conversação sobre sexo de uma cultura corrompida. Adotar a obsessão do mundo por conversação sexual e suja não pode possibilitar um efeito santificador, porque a própria estratégia é profana.

A noção de que sub-culturas degeneradas e pessoas sexualmente viciadas não podem ser alcançadas sem o "aprender a falar a língua deles", é uma falácia absoluta. A Grace Church está a sete milhas de Hollywood, no coração do Sul da Califórnia, em uma cultura carnal de prazer doentio, bem conhecida no mundo todo por tudo, menos por valores espirituais saudáveis. Nenhuma cidade na América é mais "desigrejada" que nosso vale, o qual abriga mais de três milhões de pessoas. O povo da Grace Church está alcançando amigos e vizinhos em todas as sub-culturas imagináveis – dos ex-presidiários aos ex-católicos e as pessoas na indústria do entretenimento. Batizamos novos convertidos praticamente todo domingo a noite. Não é necessário nem útil injetar referências sexuais explícitas nas conversas a fim de alcançar pessoas de tais culturas. Deus os traz a Cristo através do Evangelho.

5. Você intitulou seus artigos de "O estupro dos Cânticos de Salomão". Se você discorda tanto da linguagem forte e de temas sexuais, não parece ser sobre isto o tópico?

Um dos problemas fundamentais em toda essa discussão é a recusa por parte de muitos em reconhecer a distinção crucial (e fundamental) entre linguagem forte e linguagem obscena. O próprio Mark Driscoll contribuiu para esta confusão ao misturar e obscurecer os dois assuntos em sua mensagem ano passado na Conferência Desiring God. A Escritura condena hereges em termos vigorosos, as vezes indelicados, (por exemplo, Gálatas 5:12). Mas a Bíblia nunca é indecente, e a linguagem forte na Escritura certamente não faz da linguagem profana ou suja uma piada aceitável (Efésios 5:4).

No primeiro artigo da série, expliquei por que o título é apropriado. Se alguém acha que é um exemplo do que tenho condenado, esta pessoa não entendeu nada do que falei. O estupro é um ato de violação forçada; e este tratamento dos Cânticos de Salomão é um abuso do livro, arrancando-lhe o véu designado por Deus, contaminando publicamente sua pureza, e mantendo-o a vista para olhares e sorrisos maliciosos.

6. O sermão de Driscoll foi realmente tão ruim quanto você diz? Você não está exagerando o que, em última análise, foi apenas uma diferença no estilo?

Durante a Controvérsia Downgrade, Charles Spurgeon foi essencialmente acusado da mesma coisa – uma deturpação dos fatos e uma reação exagerada as questões. Aqui está o que Spurgeon disse em resposta aos seus críticos:

A controvérsia que tem se levantado de nossos artigos anteriores é muito ampla em seu alcance. Mentes diferentes terão suas próprias opiniões quanto a maneira com a qual os combatentes têm se portado; de nossa parte estamos satisfeitos em deixar milhares de assuntos pessoais passarem desapercebidos. O que importa quais sarcasmos e gracejos possam ter sido proferidos às nossas custas? A poeira da batalha baixará no devido tempo; pois, no presente, o interesse principal é manter o estandarte em seu lugar, e preparar-se contra as arremetidas do adversário.

Nosso alerta tinha a intenção de chamar atenção para um mal que pensávamos ser aparente a todos: nunca imaginamos que "a questão precedente" seria levantada, e que uma companhia de estimados amigos arremeteria em meio aos combatentes, e declararia que não havia motivo para a guerra, mas que nosso moto poderia continuar a ser "Paz, paz!" No entanto, tal tem sido o caso, e em muitos lugares a pergunta principal não é o "Como podemos remover o mal?", mas "Existe algum mal para ser removido?" Nenhum fim de carta tem sido escrito com isto como seu tema – "As acusações feitas pelo Sr. Spurgeon são realmente verdadeiras?" Deixando de lado a questão de nossa própria veracidade, não poderíamos ter qualquer objeção a uma discussão mais aprofundada do assunto. Por todos os meios, deixe a verdade ser conhecida.

No espírito de Charles Spurgeon, então, sinto que não há outro curso de ação, a não ser deixar que a verdade seja conhecida. This link (o qual alguém me enviou por e-mail ontem) o levará a algumas das coisas que Mark Driscoll tem dito sobre os Cânticos de Salomão. Minha preferência seria não "linkar" aquelas coisas de maneira alguma (de fato, há muito mais que eu poderia "linkar"), e gostaria de avisar que o conteúdo é altamente ofensivo (especialmente por ter sido pregado em um culto de Domingo onde crianças, adolescentes e jovens solteiros estavam presentes). Mas, como Paulo disse aos Coríntios, as vezes é necessário suportar uma pequena tolice a fim de que a verdade seja conhecida.

O Novo Testamento não poderia ser mais claro. A boca fala do que o coração está cheio (Mateus 12:34). E aqueles que ensinam publicamente são levados a um nível mais alto de responsabilidades (Tiago 3:1). Pastores, em particular, devem ser modelos de pureza (1 Tim. 4:12), acima de qualquer reprovação, tanto dentro da igreja como fora dela (1 Tim. 3:2-7). Pureza na doutrina, pureza na vida e pureza no falar fazem parte das qualificações bíblicas para aqueles que serão porta-vozes de Deus.

Efésios 4:29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem.

Efésios 5:4–5 Nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.

1 Tessalonicenses 4:7 Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a Deus, que vos dá o seu Espírito Santo.

Tito 2:6–8 Exorta semelhantemente os moços a que sejam moderados. Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós.

É por isso que estou fazendo uma discussão tal como esta. Porque o Novo Testamento faz uma discussão assim. Não é simplesmente uma diferença de opinião, geração, preferência, estilo ou metodologia. É uma discussão que se levanta dos claros mandatos do Novo Testamento relacionados ao caráter de um presbítero. De qualquer modo, não acho que tenha reagido com força suficiente.

7. Por que você escolheu Driscoll e o conectou com os "desafios sexuais"? Por que levá-lo a público? Ele já se arrependeu de seu discurso underground, e está sendo discipulado de maneira particular por homens como John Piper e C. J. Mahaney, que o fazem prestar contas. Você os consultou antes de chamar Driscoll pelo nome? Se o problema é tão sério como você alega, por que eles não disseram nada publicamente acerca disto?

No sermão que motivou esta série, Mark Driscoll (falando especificamente as esposas na congregação) fez vários comentários que foram muito, mas muito piores do que sórdidos desafios sexuais. Além do mais, os editos de Driscoll às mulheres casadas não eram meros "desafios", mas diretivas reforçadas com a alegação de que "Jesus Cristo ordena que você faça [isto]". Este material tem estado online e circulado livremente por mais de um ano. Mas você terá muita dificuldade para encontrar um único fórum sequer na Web onde alguém tenha exigido que Driscoll explicasse porque ele se sentia livre para dizer tais coisas publicamente.

Estou apontando algo que não deve ser nenhum pouco controverso: pastores não são livres para falar assim. Em resposta, uma enchente de jovens revoltados, incluindo muitos pastores e seminaristas – nenhum dos quais tenha sequer tentado uma conversa em particular comigo sobre este tópico – têm se sentido livres para postar insultos e públicas reprovações em um fórum público, declarando enfaticamente (sem a óbvia consciência da ironia) que eles não crêem que tais coisas devam ser tratadas em fóruns públicos.

(Para ser claro: não estou sugerindo que alguém precisa me contatar em particular sobre declarações públicas que eu tenha feito. Muito pelo contrário. Mas aqueles que insistem que tais desacordos devam ser tratados privadamente revelam a hipocrisia do que alegam quando usam fóruns públicos para censurar e acusar um pastor de quem eles discordam.)

Quando 1 Timóteo 5:20 diz: "Aqueles que continuam em pecado, repreenda-os na presença de todos", ele está falando aos presbíteros em particular. Aqueles em um ministério público devem ser repreendidos publicamente quando seus pecados se repetem, em público, e são confirmados por várias testemunhas.

No entanto, tenho escrito para Mark em particular sobre minhas preocupações. Ele rejeitou meu conselho. Com relação a este fato, ele pregou o sermão que venho citando, sete semanas após receber minha carta privada onde o encorajava a levar a sério o padrão de Santidade que as Escrituras impõem aos pastores. Aqui está uma pequena seleção da carta de seis páginas que o enviei:

Você [não] pode fazer cristãos adotarem modismos mundanos como se fossem um caso bíblico – especialmente quando aqueles modismos estão diametralmente em oposição ao discurso saudável, mente pura e comportamento casto que Deus nos conclama a exibir. Em sua essência, trata-se de ideologia.


Não importa o quanto a cultura possa mudar, a verdade nunca muda. Quanto mais a igreja se acomoda as bases elementares da cultura, mais ela comprometerá inevitavelmente sua mensagem. Não devemos trair nossas palavras através de nossas ações; devemos estar no mundo, mas não ser do mundo... É vital que você não envie uma mensagem sobre a importância da sã doutrina e uma mensagem totalmente diferente sobre a importância do discurso são e da pureza de mente irrepreensível.

A resposta de Mark Driscoll a esta admoestação e as coisas que ele tem dito desde então só têm aumentado minha preocupação.

Mark Driscoll realmente expressou arrependimento sobre a reputação que sua língua o rendeu a alguns anos atrás. No entanto, nenhuma mudança substancial é observável. Apenas a algumas semanas, em uma diatribe raivosa dirigida a homens de sua congregação, Driscoll mais uma vez lançou um palavrão totalmente desnecessário.


Algumas semanas antes disto, ele fez um escárnio público de Eclesiastes 9:10 (algo que ele tem feito repetidamente), fazendo piada disto em cadeia nacional. Então, aqui estão mais dois vídeos inapropriados de Driscoll que estão circulando entre jovens e estudantes universitários por quem tenho alguma responsabilidade pastoral. Em sua imaturidade, eles geralmente pensam que é maravilhosamente legal e transparente para um pastor falar assim. E eles se sentem a vontade para xingar e fazer piadas de forma semelhante em ambientes mais casuais.

Já passou da hora da questão ser tratada publicamente.

Finalmente, é seriamente exagerado dizer do envolvimento de John Piper e C. J. Mahaney que eles estão "discipulando" Mark Driscoll. Em primeiro lugar, a idéia de que um homem crescido, já em ministério público e sob os holofotes da TV nacional, necessita de espaço para "receber a instrução de mentores" antes que seja justo sujeitar suas atitudes públicas ao escrutínio bíblico parece inverter todo o processo.


Estes problemas têm sido discutidos em ambos os contextos, público e privado, por pelo menos três ou quatro anos. Em algum ponto, o argumento de que esta é uma questão de maturidade e que Mark Driscoll apenas precisa de tempo para amadurecer perdeu a eficácia.


Neste ínterim, a mídia está tendo um festival para escrever histórias que sugerem que conversação desprezível é uma das marcas registradas do "Novo Calvinismo"; e inúmeros estudantes a quem amo e conheço pessoalmente estão sendo conduzidos a um comportamento carnal semelhante ao imitarem o discurso e estilo de vida de Mark Driscoll. Para tudo há um limite.

Sim, eu informei John Piper e C. J. Mahaney das minhas preocupações sobre este material a várias semanas atrás. Discriminei todas estas questões em detalhes muito mais minuciosos do que tenho escrito aqui, e disse-lhes expressamente que estava preparando esta série de artigos para o blog.

Para aqueles que perguntam por que os pastores Piper e Mahaney (e outros em posições chaves de liderança) não têm expressado publicamente suas próprias preocupações similares, esta não é uma pergunta para mim. Espero que você escreva e pergunte a eles.
____________________________________________________________________

1 É uma espécie de classificação de conteúdo para que os pais americanos tenham uma idéia daquilo com que seus filhos estão tendo contato. NC-17 seria, por exemplo, um filme contendo senas de sexo explícito ou violência excessiva. Poderia ainda conter obscenidades, pornografias, linguagem sexual ou violenta [N. do T.].

Postado em 15/09/2011



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John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 3- Por John MacArth

John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driskoll e Outros - Parte 3

Por John MacArthur Jr

(O Estupro dos Cânticos de Salomão)


Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).

[Nota do Editor: O leitores devem ser advertidos que este artigo contem material ofensivo. No entanto, ele está incluído aqui com o objetivo de fundamentar a tese deste artigo.]

Eu enfaticamente concordo com aqueles que dizem que os Cânticos de Salomão não são mera alegoria. Ele é melhor entendido quando o tomamos como de fato se propõe a ser, como qualquer outro texto da Escritura. Muitos intérpretes a quem, em outro caso, mantenho em alta estima (incluindo Spurgeon e a maioria dos Puritanos), infelizmente fizeram mais para confundir do que para esclarecer a mensagem dos Cânticos ao tratá-la de uma maneira puramente alegórica que acaba por eliminar seu sentido primário.

Os Cânticos de Salomão são, como tenho dito desde o princípio, um poema de amor entre Salomão e sua noiva, celebrando o amor mútuo de um pelo outro, incluindo os prazeres do leito conjugal. Interpretar esta — ou qualquer outra porção da Escritura — de uma maneira puramente alegórica é tratar a própria imaginação do intérprete como mais autoritativa do que o sentido literal do texto.

De qualquer modo, aqueles que fingem saber o significado dos símbolos poéticos que não estão claramente identificados a partir do próprio texto cometem o mesmíssimo erro. Suas especulações são igualmente um modo de exaltar suas próprias imaginações a um nível de autoridade superior ao sentido literal do texto.

É um problema particular quando o interprete vê um mandato para sexo oral numa simples metáfora acerca do fruto de uma árvore, ou imagina que a melhor maneira de contextualizar e ilustrar porções do texto é despindo verbalmente sua própria esposa a fim de fazer o ponto tornar-se o mais vívido possível.

Num caso como este, o orador não apenas tem dado peso demasiado a sua própria imaginação especulativa; ele tem dado um sinal bastante claro de que sua imaginação não é totalmente pura (Lucas 6:45).

E este é um problema muito mais sério do que meramente alegorizar o texto.

De maneira alguma desejo minimizar os perigos de se alegorizar o texto. Essa aproximação hermenêutica é cheia de prejuízos, mesmo nas mãos de homens de mente pura, que geralmente são saudáveis em sua doutrina. Eu não aprovo os vôos da fantasia alegórica, especialmente com um texto como os Cânticos de Salomão, o qual impõe bastante dificuldade com as, obviamente embutidas, metáforas e linguagem poética que possui.

Alegorizadores dos Cânticos de Salomão geralmente o vêem como uma expressão de terno amor mútuo entre Cristo e Sua igreja. A maioria deles diria que Cristo é representado pela voz de Salomão; a igreja é representada pela voz de Sulamita. Alguns intérpretes vão ainda mais longe e dizem ouvir três ou mais vozes falando do texto. (Invariavelmente, aqueles que multiplicam as vozes tentam fazer com que os versículos se encaixem em algum libreto complexo que se levanta mais de suas próprias agendas pessoais do que do texto em si.)

Ainda assim, independentemente de quantas vozes sejam ouvidas e quem esteja supostamente falando, quase todos os que alegorizam este poema vêem-no como um cântico de amor entre Cristo e a igreja. É provavelmente adequado dizer que esta visão alegórica sobre Cristo e a igreja tem sido a interpretação dominante do poema através da história da igreja.

Isto, é claro, não é o certo a ser feito. Acontece que penso não ser esta a abordagem correta para interpretar este texto. Mas esta não é uma visão que deva ser rejeitada com desprezo vulgar — especialmente com uma piada grosseira atribuindo comportamento homossexual a Cristo.

Se você já ouviu qualquer dos estudos de Mark Driscoll sobre os Cânticos de Salomão, certamente terá ouvido sua piada naquele sentido. Por exemplo, no sermão que me impulsionou a escrever estes artigos, Driscoll diz, "Alguns têm alegorizado este livro, e assim fazendo, eles o têm destruído. Eles dirão que ele é uma alegoria entre Jesus e sua noiva, a igreja. O que, se for verdade, é estranho. Porque Jesus está fazendo sexo comigo e pondo sua mão sobre minha camisa. E isto parece estranho. Eu amo Jesus, mas não desse jeito."

Drsicoll disse quase exatamente a mesma coisa nos últimos três outros sermões. Por exemplo: "Jesus continua fazendo comigo e me tocando em locais impróprios". "Agora eu sou gay, ou altamente perturbado, ou ambos". "Como um cara, eu não me sinto confortável com Jesus, como você sabe, me beijando, me tocando e me levando para a cama. Ok? Acho que essa espécie de visão acerca dos Cânticos de Salomão é muito homo-erótica."

Mesmo em sua série mais recente, Peasant Princess, ele repete uma versão daquela mesmíssima piada:

Agora, o que acontece é que alguns dizem "Bem, nós cremos no livro [dos Cânticos de Salomão], e o ensinaremos, mas o faremos alegoricamente." E há então uma interpretação alegórica e uma literal. Eles dirão, "Bem, a interpretação alegórica não é entre um marido e sua esposa, Cânticos de Salomão, amor, romance e intimidade; do que ela trata? Sobre nós e Jesus." Realmente? Eu espero que não. [Risos da platéia] Se eu chegar no céu e ele desabar, não sei o que farei. Quero dizer que este será um mau dia. Certo? Eu falo sério. Vocês caras, sabem do que eu estou falando. É como, "Não, eu não estou fazendo isto. Você sabe que eu não estou fazendo isto. Eu O amo [Jesus], mas não deste jeito." [Risos da platéia].

Driscoll escapa da crítica a respeito deste tipo de piada alegando que não é blasfêmia pelo fato de não ter nada a ver com o "verdadeiro" Jesus. Ele diz que está simplesmente tirando sarro de uma falsa noção sobre Jesus. E ele continua fazendo a piada. Aqui está o problema com isto: a Escritura claramente ensina que o amor entre marido e mulher em todos os seus aspectos é uma metáfora de Cristo e a igreja (Efésios 5:31-32).

Assim, mesmo uma interpretação não alegórica dos Cânticos de Salomão (simplesmente tomando a canção de amor entre Salomão e Sulamita no sentido em que ela se propõe a ser), em última análise aponta-nos a Cristo e seu amor pela igreja. O texto deve ser manuseado pelo pregador, portanto, não como um pretexto para se banhar na sarjeta de nossa cultura obsessiva por descontração, com uma conversação grosseira acerca de sexo e descrição de imagens sexuais.

Alguns dos que tem comentado esses artigos sugeriram que eu deveria fazer uma exposição completa dos Cânticos de Salomão ao invés de simplesmente criticar os maus intérpretes e condenar a fixação da igreja contemporânea por sexo.

Isto exigiria uma série longa, e eu preferiria não devotar semanas de tempo neste blog a um tópico que levantei apenas com o objetivo de uma simples admoestação particular. Mas aqueles que desejam conhecer minha exposição dos Cânticos de Salomão ficarão felizes em encontrar notas completas sobre o texto na Bíblia de Estudo MacArthur.

Aquelas notas devem ser uma resposta suficiente àqueles que pretendem saber se o que estou falando é que seria melhor não comentar os Cânticos de Salomão de maneira alguma.

É claro que não é o que estou dizendo, nem pode alguém asseverar que tenho afirmado implicitamente qualquer coisa do tipo — sem torcer minhas palavras ou colocar suas palavras em minha boca. (Isto aconteceu literalmente numa série de comentários em outro blog onde este artigo estava em discussão. Um comentarista precipitadamente me acusou de oposição a exposição linha-por-linha dos Cânticos. Em metade dos comentários, as pessoas estavam pondo esta alegação entre aspas, atribuindo-a a mim.)

O que estou dizendo é que os limites da decência — especialmente quando se lida com temas como sexo — devem ser aplicados a qualquer texto com o qual estejamos lidando. Interpretar a bela poesia de modo a transformá-la num indecente pornô soft é corromper a intenção primordial do texto.

Isto está longe de ser tão difícil de entender como alguns estão imaginando, mas talvez um simples paralelo seja suficiente: Existem outras funções privadas do corpo e partes do corpo "menos honrosas" ou "indecorosas" (1 Coríntios 12:23). Encontramos estas mencionadas ou aludidas às vezes nas Escrituras sem, contudo, serem demasiadamente especificadas. Todos nós seriamos certamente ofendidos se o pregador fizesse um longo discurso descritivo, ou desse instruções do tipo "como-é", no culto de Domingo, sublinhando aquelas coisas "indecorosas".

Por razões mais fortes que a simples modéstia, certos atos envolvendo fornicação, auto-erotismo e outras coisas que as pessoas geralmente "fazem em segredo", são vergonhosas para serem discutidas em qualquer contexto público (Efésios 5:12), muito menos num culto da igreja. Elas podem ser temas adequados para uma sessão de aconselhamento privado, para um consultório médico ou para uma aula de biologia da faculdade, mas não são temas apropriados para um culto onde Deus deve ser glorificado, onde Cristo deve ser exaltado, onde respeito deve ser mostrado para com as mulheres, onde a inocência das crianças deve ser resguardada e onde as curiosidades luxuriosas de pessoas solteiras não devem ser inflamadas desnecessariamente.

Quando um orador deliberadamente desperta desejos que não podem ser realizados com retidão em universitários solteiros, ou quando suas ilustrações pessoais deixam de preservar a privacidade e honra de sua própria esposa, isto já é algo bem pior do que meramente inapropriado. Quando feito repetidamente e com o comportamento de um bad boy imaturo, tal prática reflete um defeito de caráter maior, que é a desqualificação espiritual. Qualquer homem que faz tais coisas demonstra simplesmente que a marca registrada de seu estilo não está realmente acima de qualquer reprovação.

Tão recentemente como há uma década, este ponto de vista não teria levantado um pio de controvérsia.

O fato de que isto é tão controverso agora é simplesmente uma prova a mais de que os evangélicos têm se tornado parecidos demais com o mundo, e muito confortáveis com as características maléficas de nossa cultura.

Amanhã, se o Senhor quiser, postarei o capítulo final desta série. Várias perguntas têm chegado repetidamente de pessoas que têm comentado sobre estes artigos, e no capítulo final de amanhã quero responder o maior número delas possível.

Postado em 15/09/2011


John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 2 (O Estupro aos Cânticos de Salomão)

John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 2

(O Estupro aos Cânticos de Salomão)


Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).

Francamente, é difícil pensar em um abuso mais terrível da Escritura que transformar os Cânticos de Salomão em pornô soft. Quando pessoas não conseguem mais ler esta porção da Escritura sem que imagens pornográficas entrem em suas mentes, a beleza do livro já tem sido corrompida, sua descrição da justiça amorosa pervertida, e sua função na santificação e elevação do relacionamento matrimonial desviada. Que pregadores façam isso no culto público é inconcebível.

Os Cânticos de Salomão são deliberadamente velados em eufemismos que, em qualquer medida, mostram-se belos. Algumas das imagens são absolutamente óbvias, outras altamente discutíveis. Em muitos lugares o significado é indistinto o bastante para permitir uma grande dose de imaginação hermenêutica, e a sabedoria parece ensinar que aqui — especialmente aqui — é melhor para o pregador não ser muito mais explícito do que o foi o Espírito Santo.

E encaremos isto: em geral, o Cântico está tão longe do explícito quanto pôde o escritor fazê-lo.

Além disso, desde que o simbolismo trata obviamente acerca de paixão, romance, amor, desejo e ternura, sua ambigüidade serve a um propósito deliberado: ela fala em termos secretos aquilo que deveria ser mantido em secreto. A linguagem é claramente concebida para comunicar afeições de privacidade íntima através de termos velados, confidenciais e quase clandestinos.

Este é um ponto vital: O estilo da comunicação entre aqueles dois amantes oculta belamente o significado mais essencial de suas canções de amor, de um modo que preserva a profundidade da privacidade pessoal (e divinamente pretendida) do leito conjugal.

O Cântico de Salomão é incrivelmente belo precisamente por ser tão cuidadosamente velado. É a perfeita descrição da maravilhosa e terna descoberta da intimidade que Deus designou que acontecesse entre um jovem homem e sua noiva num lugar de segredo. Nós não somos informados em termos vívidos o que todas as metáforas significam, porque a beleza da paixão conjugal está no olho do expectador — onde deve permanecer.

Tom Gledhill sabiamente resume este ponto em seu comentário sobre os Cânticos de Salomão (pp. 29-31):

Ao desempacotar metáforas e desembrulhar eufemismos [nos Cânticos de Salomão] pode acontecer que nossos pensamentos espiralem fora de controle, e acabemos por cometer adultério em nossas imaginações. E o que fazer então se a interpretação das Escrituras se mostrarem ser uma pedra de tropeço, e uma causa de ofensa para alguns que crêem? ... Uma vez que uma linha particular de interpretação tem sido sugerida, é difícil não ver explícitas alusões sexuais em todos os lugares, até que todo o trabalho se torna saturado de referências a genitália, relações sexuais e sexo explícito.

... A resposta do Novo Testamento é muito clara e direta. Jesus disse, "Se teu olho direito te faz pecar, arranca-o... É melhor perder uma parte do corpo do que ter todo o corpo lançado no inferno". Em outras palavras, não andemos em tentação de olhos abertos quando conhecemos nossas áreas específicas de fraqueza.

... A linguagem que usamos para descrever várias partes da anatomia humana (o que o apóstolo Paulo descreve como nossas 'partes decorosas') é um assunto para delicada sensibilidade... Quando [explicitadas inapropriadamente] palavras são usadas em discurso verbal, uma profunda desorientação toma lugar nos ouvintes, a qual tem uma tendência de bloquear, em grande medida, qualquer capacidade adicional para uma discussão racional. Eles agem, por assim dizer, como granadas de mão. Seu uso é uma atividade terrorista, causando destruição desenfreada.

Tremper Longman III diz o seguinte acerca dos pregadores e comentaristas que interpretam as imagens poéticas dos Cânticos em termos abertamente explícitos: "A livre associação [deles] com as imagens dos Cânticos é tão prevalecente que aprendemos muito mais sobre os interpretes que sobre o texto" (NICOT, p. 14).

Considere, por exemplo, a seguinte passagem de Cânticos de Salomão 4:12-16. Aqui Salomão descreve sua noiva com uma metáfora complexa empregando símbolos florais, e ela responde fazendo eco as imagens:

Jardim fechado é minha irmã, minha noiva,

Sim, jardim fechado, fonte selada.

Os teus renovos são um pomar de romãs,

Com frutos excelentes; a hena juntamente com nardo,

O nardo, e o açafrão, o cálamo, e o cinamomo,

Com toda sorte de árvores de incenso;

A mirra e o aloés, com todas as principais especiarias.

És fonte de jardim, poço de águas vivas,

correntes que manam do Líbano!

Levanta-te, vento norte,

E vem tu, vento sul;

Assopra no meu jardim, espalha os seus aromas.

Entre o meu amado no seu jardim,

E coma os seus frutos excelentes!

Salomão descreve assim sua noiva como um jardim fechado e selado. Para ele, ela é um lugar agradável, cheio de aromas encantadores e substâncias tranqüilizantes. A descrição desenhada por ele é bela em todos os níveis. Os detalhes ("frutas escolhidas, hena com nardo, o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo... árvores de incenso, mirra" etc.) podem ou não possuir significados específicos que teriam sido conhecidos pela noiva.

O que todo interprete cauteloso pode dizer com certeza é que Salomão considera sua noiva aprazível a todas as suas percepções sensoriais. Ele, então, a compara à imagem mais agradável e bela que pode imaginar — ungüentos, fragrâncias e deleites visuais — tudo concentrado em um único e bem cultivado local. Um jardim. O jardim está "fechado", o que, novamente, enfatiza a privacidade íntima do amor conjugal puro.


Nada requer que o exegeta vá além disto. A própria Escritura não vai além disto.

"É franco, mas não é grosseiro", disse Mark Driscoll num Domingo, a uma congregação escocesa, a menos de 18 meses atrás. Mas então ele continuou a parafrasear Salomão de uma maneira que foi totalmente grosseira e nem remotamente próxima daquilo que o Espírito Santo pretendeu. (Uma cópia em CD desta mensagem chocante, intitulada Sexo: Um Estudo das Partes Boas dos Cânticos de Salomão, me foi enviada por alguns cristãos do Reino Unido, profundamente ofendidos e preocupados. Esta é a razão primária de eu estar fazendo esta série).

Na mente de Driscoll, não é a noiva em si que é um jardim, mas uma parte específica de sua anatomia. Da maneira que ele recria a passagem, não é um poema sobre o deleite da privacidade que os cônjuges usufruem entre si; é uma maneira sorrateira de expor abertamente essa intimidade para que todos possam ver.

Em essência, ele trata os Cânticos de Salomão como a velha lenda urbana acerca das letras de "Louie, Louie". Apenas aqueles com um conhecimento secreto podem realmente entender; e, portanto, seu verdadeiro significado deve ser algo sujo.

Esta abordagem satisfaz ouvidos lascivos. É difícil vê-lo como algo diferente de mero exibicionismo. O pior de tudo é que isto inverte todo o propósito dos Cânticos de Salomão.

Tremper Longman estava certo: eisegesi como esta não revela nada acerca do livro, mas tudo acerca do interprete.

Postado em 15/09/2011



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John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 1

John MacArthur Denuncia a Linguagem Vulgar de Mark Driscoll - Parte 1

Por John MacArthur Jr

Tradução: Nelson Ávila (Aluno da Escola Charles Spurgeon).

Aparentemente, o caminho mais curto para a relevância no ministério da igreja atualmente é que o pastor fale sobre sexo em termos extravagantemente explícitos durante o culto matinal de domingo. Se ele puder chocar os paroquianos com palavras cruas e humor irreverente, tanto melhor. Os defensores desta tendência nos informam solenemente que sem tal estratégia é praticamente impossível se conectar com a "cultura" de hoje. (No evangelicalismo contemporâneo, este termo tem se tornado um rótulo conveniente para quase tudo que é inculto e grosseiro.)

Sermões sobre sexo têm repentinamente se tornado uma grande moda no mundo evangélico tal como a oração de Jabez jamais foi. Em todo lugar, ao que parece, igrejas estão apresentando séries especiais sobre o assunto. Algumas delas fazem propagandas com cartazes sugestivos, concebidos propositadamente para ofender a sensibilidade de suas comunidades conservadoras.

Realmente, alguns pastores têm ganhado ampla cobertura na mídia pela edição de "desafios sexuais" para membros de igrejas. Estes são esquemas que propõem sexo diário obrigatório para cônjuges durante um período de tempo específico — geralmente entre sete a quarenta dias. (Como as pessoas prestam conta disto é uma questão que tenho medo de levantar.)

Eu seria o último a sugerir que os pregadores evitassem totalmente o tema do sexo. A Escritura tem muito a dizer sobre o assunto, a começar com as primeiras palavras de Deus a Adão e Eva ("Frutificai e multiplicai-vos" — Gênesis 1:22). A lei de Deus possui numerosos mandamentos que regem o comportamento sexual, e o Novo Testamento reafirma repetidamente o padrão de pureza sexual do Antigo Testamento. Finalmente, nos capítulos finais da Escritura somos informados de que pessoas sexualmente imorais serão lançadas no lago de fogo (Apocalipse 21:8). Portanto, não há maneira de pregar todo o conselho de Deus sem mencionar o sexo.

Mas a linguagem que a Escritura emprega quando lida com o relacionamento físico entre marido e mulher é sempre cuidadosa — muitas vezes simples, algumas vezes poética, usualmente delicada, freqüentemente silenciada por eufemismos, mas nunca completamente explícita. Não há indício de lascívia irreverente na Bíblia, mesmo quando o claro propósito do profeta é chocar (como quando Ezequiel 23:20 compara a apostasia de Israel a um ato de fornicação grosseira motivada pelo desejo de bestialidade). Quando um ato de adultério é parte da narrativa (tal como o pecado de Davi com Bate-Seba), ele nunca é descrito de uma maneira que agradaria uma imaginação lasciva ou despertaria pensamentos luxuriosos.

A mensagem da Escritura a respeito do sexo é simples e consistente do começo ao fim: a total intimidade física dentro do casamento é pura e deve ser desfrutada (Hebreus 13:4); mas remova o pacto do casamento da equação e toda atividade sexual (incluindo aquela que ocorre apenas na imaginação) nada mais é que fornicação, um pecado grave que é especialmente profano e escandaloso — tanto que até falar inapropriadamente a respeito é vergonhoso (Efésios 5:12).

Acima de tudo, a Escritura nunca se rebaixa ao nível sensacionalista da educação sexual contemporânea. A Escritura não tem um correspondente ao Kama Sutra Hindu (um antigo manual de sexo sânscrito supostamente transmitido pelas deidades Hindus). Nada nas Escrituras dá qualquer vívida instrução, do tipo "como fazer", a respeito da relação física dentro do casamento.Isto inclui o Cantares de Salomão.

De fato, o poema amoroso de Salomão sintetiza a abordagem exatamente contrária. É, naturalmente, um longo poema sobre namoro e amor conjugal. Ele está cheio de eufemismos e imagens descritas. Todo o seu intuito é expressar gentilmente, sutilmente e elegantemente a intimidade emocional e física do amor conjugal — em linguagem adequada para qualquer público.

Mas tem se tornado popular em certos círculos empregar extremas descrições gráficas de intimidade física como um meio de expor os eufemismos do poema de Salomão. À medida que esta tendência se desenvolve, cada novo palestrante parece encontrar algo mais chocante nas metáforas que qualquer de seus predecessores jamais sequer imaginou.

Assim, somos informados que a linguagem poética de Sulamita ao invocar as delícias de uma macieira (Cânticos 2:3) é uma metáfora para sexo oral. O conforto e deleite de um simples abraço (2:6) não é nada do que parece ser. Aparentemente é impossível descrever o que este versículo realmente significa sem mencionar certas partes inomináveis do corpo.

Somos ainda assegurados de que os significados chocantes escondidos nesses textos não são meramente descritivos; eles são prescritivos. A gnose secreta dos Cânticos de Salomão retrata atos que as mulheres devem fazer obrigatoriamente se isto for o que satisfaz seus maridos, independentemente do desejo ou consciência da própria esposa. Foi-me dada recentemente uma gravação de uma dessas mensagens, onde o palestrante dizia: "Senhoras, deixem-me garantir-lhes isto: se você acha que está sendo suja, ele ficará muito feliz."

Tais pronunciamentos são usualmente feitos em meio a gargalhadas ruidosas, mas evidentemente se espera que os levemos a sério. Quando a gargalhada se extinguiu, aquele palestrante acrescentou, "Jesus Cristo ordena que você faça isto."

Essa abordagem não é exegese; é exploração. É contrária ao estilo literário do próprio livro. É espiritualmente equivalente a um ato de estupro. É rasgar o belo vestido poético dos Cânticos de Salomão, despir aquela porção da Escritura de sua dignidade, e apresentá-la para que seja ridicularizada e encarada com malícia de uma maneira carnal.

Mark Driscoll tem conduzido o desfile por este caminho carnal. Ele é de longe o proponente popular mais conhecido e mais prolífico desta maneira de lidar com os Cânticos de Salomão. Ele tem dito repetidamente que esta é sua passagem favorita da Escritura, e tem se voltado para ela mais e mais nos últimos anos, culminando em uma série altamente divulgada e lançada em vídeo ano passado via internet.

Continuo encontrando jovens pastores que estão seguindo agora este mesmo exemplo, e estou bastante surpreso de que esta tendência tenha sido tão bem aceita na igreja, sem praticamente nenhuma crítica significativa e sem levantar sérias objeções. Então, nos próximos dois dias vamos analisar e criticar esta abordagem dos Cânticos de Salomão, incluindo uma olhada em alguns exemplos específicos onde a linha da decência tem sido claramente ultrapassada.

Postado em 15/09/2011

Série Heresias neopentecostais: Atos proféticos Por Renato Vargens

Apesar de alguns evangélicos afirmarem que o Brasil experimenta um grande avivamento, vivemos dias extremamente complicados. Infelizmente a cada dia que passa, eis que surgem retumbante nesta terra tupiniquim devastadoras heresias.

Em Curitiba, um grupo de irmãos, liderado pelo pastor da igreja, entendeu que deveria demarcar seu território com urina, como fazem os leões e lobos. Após beberem muita água para encher bem a bexiga, seguiram para pontos estratégicos da cidade e passaram a URINAR decretando a vitória do Senhor. Numa cidade do norte do Estado do Rio de Janeiro, um pastor resolveu confrontar o “padroeiro” do município. Para tal, ele vestiu-se de branco, colocou uma coroa na cabeça, montou em um cavalo também branco, escreveu na sua coxa rei dos reis e adentrou as portas da cidade dizendo que a partir daquele instante o padroeiro daquele lugar não era mais são Jorge e sim Jesus Cristo.

O Ministério apostólico Libertador de Israel nos mostra outros tipos de atos proféticos:


- Cortar fios ou fitas, simbolizando a destruição de redes de tráfico e crime organizado.

- Quebrar botija, simbolizando a quebra de sistemas mundanos.

- Jogar flechas

- Sentar em torno de uma mesa, simbolizando a restauração familiar.

- Arrancar e plantar árvores, simbolizando retirada dos maus frutos e começo dos bons.

- Enterrar e desenterrar dinheiro, simbolizando arrancar os tesouros escondidos.

- Orar em frente a grandes bancos, ordenando a liberação financeira.

- Ungir em frente a locais de idolatria.

- Fincar estacas demarcando limites para conquista

- Dar sete voltas em torno de locais a serem conquistados.

- Rasgar papéis que simbolizam contratos espirituais.

- Marchas proféticas delimitando territórios.


Caro leitor,
vamos combinar uma coisa? Esse povo ensandeceu! Eu não consigo imaginar Paulo e Pedro agindo desta maneira. Sinceramente eu não sei de onde esses caras tiram essas idéias! Ora, isso está mais para macumba do que para Cristianismo. Prezado amigo o evangelho de Cristo é simples (2 Co 11.3,4). Nossa missão é orar e jejuar, amar e estudar a Palavra de Deus, além de anunciar com intrepidez a mensagem da cruz ao mundo perdido (1 Co 1.18,22,23; 2.1-5). Nada além disso!

Sem a menor sombra de dúvidas as praticas litúrgicas dos neopentecostais fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, onde o misticismo, a “mercantilização” da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar. Ao ler aberrações como as narradas acima, sinto-me profundamente inquieto com os rumos da igreja brasileira.

Isto posto, faço minhas as palavras do reformador alemão Martinho Lutero:

“Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir”

O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.

Em tempos difíceis como o nosso precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim conseguiremos corrigir as distorções evangélicas que tanto nos tem feito ruborizar.

Pense nisso!

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Postado por Renato Vargens, no Púlpito Cristão

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pneumatologia - Doutrina Do Espirito Santo.

A Doutrina do Espírito Santo: Um Esboço do Estudo Sobre a Pessoa e a Obra do Espírito Santo - Ron Crisp. Livro.

  1. [01] UMA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO ESPÍRITO SANTO
  2. [02] A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
  3. [03] A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO
  4. [04] A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO NO VELHO TESTAMENTO
  5. [05] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO A CRISTO
  6. [06] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA INSPIRAÇÃO
  7. [07] AS FIGURAS SIMBÓLICAS DO ESPÍRITO SANTO
  8. [08] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA GRAÇA COMUM PARTE I
  9. [09] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA GRAÇA COMUM PARTE II
  10. [10] A OBRA PREPARATÓRIA DO ESPÍRITO NA SALVAÇÃO
  11. [11] A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA REGENERAÇÃO
  12. [12] A HABITAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
  13. [13] A OBRA DO ESPÍRITO NA SEGURANÇA
  14. [14] O CONSOLADOR
  15. [15] O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA
  16. [16] O ESPÍRITO SANTO COMO PROFESSOR
  17. [17] O ENCHER-SE DO ESPÍRITO SANTO
  18. [18] O FRUTO DO ESPÍRITO
  19. [19] PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
  20. [20] O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
  21. [21] OS DONS DO ESPÍRITO
  22. [22] OS DONS TEMPORÁRIOS
  23. [23] A SAÚDE E O DOM DE CURA
  24. [24] O DOM DE LÍNGUAS
  25. [25] ADENDA DE ATOS 19:1-7